O antigo presidente de uma junta de freguesia do concelho de Penela vai começar a ser julgado a 25 de novembro no Tribunal de Coimbra, estando acusado de tentativa de homicídio da sua companheira e mãe desta.

O Ministério Público (MP) acusa o arguido, de 95 anos de idade, de dois crimes de homicídio qualificado na forma tentada, ocorridos a 13 de janeiro de 2013, no concelho de Penela (distrito de Coimbra), um crime de detenção de arma proibida e um crime de detenção de munições proibidas.

Segundo o despacho de acusação a que a agência Lusa teve acesso, o reformado, agora a residir em Pombal, suspeitava que a companheira, com quem "mantinha um relacionamento amoroso há 27 anos" e vivia na mesma casa há cerca de seis, teria um relacionamento "com outros homens".

Após um almoço com a companheira e a mãe desta, o arguido terá referido essas mesmas suspeitas - negadas pela vítima - e foi buscar ao andar inferior da habitação uma espingarda caçadeira semiautomática de calibre 12.

Depois de municiar a arma com três cartuchos, o acusado terá subido ao primeiro andar, onde a companheira já se encontrava no quarto com a sua mãe.

Assim que a mãe da companheira da vítima se apercebeu que o arguido empunhava uma caçadeira, pediu à filha para fechar a porta do quarto.

De acordo com o MP, o arguido efetuou então dois disparos, com o segundo a trespassar a porta e a atingir a mãe da sua companheira "no tórax e braço direito", tendo ficado "prostrada no chão".

Após abrir a porta, o homem efetuou um terceiro disparo "a menos de dois metros" de distância da sua companheira, "atingindo-a na região torácica".

Na altura em que o arguido se dirigiu ao andar inferior para recarregar a espingarda, a companheira aproveitou para sair da habitação e procurar ajuda, refugiando-se junto a um terminal de multibanco, conta o MP.

Posteriormente, o arguido foi para a rua e terá ameaçado que disparava contra um homem que se pôs no seu caminho.

Depois de este se ter desviado, o acusado terá feito um quarto disparo em direção à sua companheira, mas não a atingiu.

O MP considera que o arguido efetuou os disparos com "o propósito de atingir o corpo" das vítimas e "de lhes tirar a vida", fazendo-o "por motivo fútil - ciúmes exacerbados".

O julgamento começa a 25 de novembro, pelas 09:15, no Tribunal de Coimbra.

O arguido cumpriu quatro mandatos à frente de uma junta de freguesia de Penela e, em 2008, o município deliberou por unanimidade atribuir-lhe uma medalha honorífica.