A mulher que tentou matar o marido com um machado, deferindo-lhe vários golpes na cabeça, braços e mãos, em setembro de 2015, em Valongo, no Porto, disse esta quinta-feira em tribunal não ter noção do que fez.

Eu amo-o. Choro todos os dias por ele. Estou muito arrependida das coisas que fiz”, afirmou ao coletivo de juízes do Tribunal São João Novo, no Porto.

Na madrugada de 8 de setembro de 2015, a arguida pegou num machado e atacou o companheiro em casa, enquanto este dormia, desferindo-lhe vários golpes na cabeça, braços e mãos e cortando-lhe três dedos, referiu a acusação do Ministério Público (MP).

Depois, a suspeita deixou o homem a esvair-se em sangue e saiu de casa, trancando a porta.

Fechada em casa, a vítima arrastou-se pela casa e pegou num telemóvel para pedir ajuda, tendo os Bombeiros de Valongo entrado pela janela para o socorrer, transportando-o para o Hospital São João onde os médicos ainda lhe conseguiram recuperar dois dos três dedos cortados.

Acusada de homicídio qualificado na forma tentada e sequestro, a arguida, de 50 anos, contou que se davam “muito mal” e que o marido a “maltratava”, obrigando-a a prostituir-se, atividade que ela assumiu que exercia.

Tentou matar-me três ou quatro vezes nos últimos anos”, relatou.

Por esse motivo, a alegada homicida adiantou que apenas o queria assustar para ele não lhe voltar a fazer mal.

Tínhamos estado a ver televisão e beber duas garrafas de vinho e uma de espumante, por isso, estava muito tonta, não me apercebi do que fiz, além disso não tinha luz em casa”, avançou.

A mulher adiantou que depois de lhe dar com o machado saiu de casa “sem rumo”, tendo-o deixado sozinho porque não tinha consciência da gravidade do seu estado.

E acrescentou: “sempre o tratei bem. Era eu que trabalhava e o sustentava, ele não fazia nada”.

Também ouvido pelo coletivo de juízes, o homem garantiu que “nunca” lhe bateu.

“Quando fui atacado pus as mãos à frente da cara, mas não vi se era ela porque não havia luz”, salientou.