Quase 250 pessoas, a grande maioria mulheres, apoiadas pela Assistência Médica Internacional no ano passado, relataram ter sido vítimas de violência doméstica, revela o relatório anual da AMI divulgado

O Relatório de Atividades e Contas 2014 da AMI refere que 248 pessoas (87% das quais mulheres) relataram episódios de violência doméstica, sendo que 47% das mulheres tinham entre os 30 e os 49 anos, 31% eram divorciada e 27% eram casadas ou viviam em união de facto (27%).

“O agressor é na maior parte dos casos o cônjuge/namorado (40%), recorrendo a agressões físicas (38%), a ofensas e insultos (6%)”, adiantam os dados.


A AMI verificou também 96 casos de violência de género, sendo 99% das vítimas mulheres, a maioria com idades entre os 30 e os 49 anos (62%), divorciada ou solteira (50%), e 17% encontravam-se em situação de sem-abrigo.

Estas mulheres eram vítimas de agressões físicas (80%) e ofensas/insultos (12%).

Segundo o documento, os serviços mais procurados por esta população foram o apoio social (78%) e o apoio alimentar (59%).

A AMI ressalva no documento que o facto de este indicador ser recente na base de dados (desde 2011), “acrescido da sensibilidade da própria temática e de só ser registado quando verbalizado ou questionado pelo assistente social no atendimento social, poderá contribuir para não refletir o fenómeno na sua verdadeira dimensão e gravidade”.

Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), a violência doméstica registou 22.959 participações em 2014, o que representa uma subida de 0,1 por cento face ao ano anterior.

Dados do Observatório das Mulheres Assassinadas da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), baseados nos casos noticiados pela imprensa, acrescentam que 43 mulheres foram mortas em 2014 vítimas de violência doméstica.

No primeiro trimestre deste ano, segundo a UMAR, já foram assassinadas nove mulheres (quatro em janeiro, uma em fevereiro e quatro em março).

Em média, a AMI registou 326 novos casos de pobreza por mês em 2014, ano em que 3.916 pessoas procuraram pela primeira vez apoio na organização, menos 996 face a 2013.