A financeira americana Morgan Stanley alertou na quarta-feira para a possível escassez mundial de vinho dentro de alguns anos, adiantando que um copo de tinto pode chegar a atingir valores astronómicos.

A produção mundial de vinho atingiu o seu auge em 2004 quando o setor registou um «excesso de 600 milhões de caixas de garrafas», refere o estudo da Morgan Stanley divulgado esta quinta-feira.

Atualmente há cerca de um milhão de produtores, metade dos quais na Europa, que colocam no mercado 2,8 mil milhões de caixas por ano no mercado.

Mas a produção, indica o estudo da Morgan Stanley, está 300 milhões de caixas abaixo da procura anual e que está a crescer, à medida que a nova burguesia russa, chinesa e de outros países emergentes adquiriu o gosto pelos Bordeaux, Rioja e Malbec.

A produção global do setor caiu 5% no ano passado para o seu valor mais baixo desde os anos 1960, devido sobretudo ao mau tempo em França e na Argentina.

Já a curto prazo, «os stocks vão diminuir e o consumo será dominado pelas colheitas dos últimos anos» e, quando chegar a altura de os vinhos de 2012 serem consumidos, assistir-se-á a uma «escassez» de vinho e a um crescimento da procura e dos preços de exportação.

De acordo com o estudo, Austrália, Chile, Argentina, África do Sul e Nova Zelândia são os países «em melhor posição para tirar proveito» desta situação, ao contrário da Europa, uma região produtora mas também fortemente consumidora.