A Associação de Pais da escola secundária de Vila Real de Santo António tentou esta sexta-feira ocupar as salas novas ainda por entregar, no âmbito de uma obra da Parque Escolar, uma iniciativa impedida pela intervenção da PSP, segundo um dirigente.

Ernesto Ramos, da associação, disse à agência Lusa que um grupo de encarregados de educação, em colaboração com a câmara municipal, tentou esta sexta-feira transferir o mobiliário dos contentores utilizados como salas, mas «esse trabalho ficou pela metade», porque «a PSP foi chamada pela Parque Escolar» e «pediu para parar», indicação que foi acatada.

«A nossa ideia era os alunos, na segunda-feira, quando recomeçassem a escola depois das férias de Natal, já ocuparem as salas novas, que estão concluídas e que a escola, os pais e a câmara têm pedido para serem entregues», afirmou, referindo-se à disponibilização das 21 salas que integram a segunda e última fase da obra.

Ernesto Ramos disse que agora estão «metade das salas com mobiliário e metade dos contentores vazios», pelo que antevê um regresso às aulas «caótico» na segunda-feira, com «os alunos a não saberem para onde vão».

Por isso, a associação de pais convocou os encarregados de educação para estarem na segunda-feira, às 08:00, na escola para «tomarem as medidas que forem necessárias, incluindo impedir as crianças de irem às aulas».

A agência Lusa tentou falar com o presidente da câmara, mas até ao momento não obteve resposta.

A comissária da PSP de Vila Real de Santo António remeteu esclarecimentos sobre o assunto para o Comando Distrital de Faro e uma fonte da estrutura disse terem estado agentes no local, a pedido dos responsáveis da obra, por causa de «uma ocupação indevida» que foi resolvida «sem incidentes».

A Câmara de Vila Real de Santo António divulgou, entretanto, um comunicado a informar que foi impedida a tentativa de ocupação das salas, realizada para «desbloquear o impasse entre a administração da empresa pública Parque Escolar e o Ministério da Educação» e permitir a utilização das salas, «apenas dependente de uma simples decisão administrativa».

A câmara lamentou que os pais e funcionários da escola e da autarquia tenham sido «impedidos pela Parque Escolar de concluir a instalação das novas salas de aula», num ato que o autarca, citado no texto, qualificou «de prepotência» relativamente a «uma causa legítima».

A autarquia anunciou que, na segunda-feira, vai redigir e fazer circular junto dos pais «um abaixo-assinado a enviar à tutela», a quem apela para «não colaborar com o ato de prepotência da Parque Escolar».

Ao longo de todo o processo, a Lusa tem tentado obter esclarecimentos da Parque Escolar, mas sem sucesso.