As tradicionais rendas de bilros, de Vila do Conde, entraram para o livro de recordes mundiais, depois de ser apresentada uma peça gigante produzida por mais de uma centena de rendilheiras.

O anúncio foi feito este domingo pelo júri oficial do Guinness World Records, Fortuna Burke, que mediu e confirmou a autenticidade das rendas.

Ao todo, a peça que foi apresentada junto à Nau Quinhentista, perante o olhar de centenas de vila-condenses, mede 53,262 metros quadrados, e foi feita com 8 quilos de linha. Exibe um total de 437 quadrados de 30x30 centímetros, todos com cores e formas diferentes, feitos por 150 rendilheiras de todas as idades.

No momento do anúncio da entrada para o livro de recordes mundiais, Elisa Ferraz, presidente da Câmara Municipal - que há um ano, durante as comemorações do Dia da Rendilheira (02 de agosto) na Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde, desafiou as rendilheiras a produzir uma peça gigante - não escondeu a satisfação.

"Foi uma grande emoção que se viveu aqui. Além do recorde, temos que relevar esta história, este património extraordinário, e por isso prestamos aqui a maior homenagem às nossas rendilheiras", sublinhou Elisa Ferraz.


A autarca lembrou que este reconhecimento "ultrapassará fronteiras e escreverá esta arte no mundo".

"Relevo o carinho enorme pelo trabalho destas mulheres, que foram buscar às rendas uma fonte de rendimento para fazer face às dificuldades económicas, e hoje preservam esta tradição”, defendeu, acrescentando “isto só é possível porque elas existem e continuam com muita vontade de fazer" renda.


Ao mesmo tempo, Elisa Ferraz salientou a importância da certificação de origem, também conseguida este ano. "Agora, com a certificação, estamos a dar passos importantes no sentido de uma modernização que também é necessária".

Maria da Guia é uma das rendilheiras mais emblemáticas da cidade. Faz rendas de bilros há 60 anos e foi a responsável pela coordenação do projeto "Rendas para o Mundo".

A rendilheira revelou que hoje foi um dia marcante, apontando esta como a obra mais rica que fez, e salientou o empenho de todas as mulheres que se associaram ao projeto.

"Não foi difícil coordenar, porque elas colaboraram tão bem, com tanto empenho, tanta paixão, que foi muito fácil", disse


"São 60 anos a fazer rendas de bilros, é uma grande paixão e esta é a obra mais rica que eu fiz até hoje", afirmou, ao mesmo tempo que defendeu que, agora, mais gente deverá visitar o Museu e inscrever-se na Escola de Rendas de Bilros. "Acho que mais gente vai querer aprender e vamos ter mais rendilheiras futuramente".

Com este primeiro Guinness para o concelho, Elisa Ferraz acredita que Vila do Conde vai receber ainda mais turistas.

"Os turistas têm todos os motivos para virem aqui, [ver] as nossas rendas mas também a tradição a nível da construção naval, a beleza da nossa terra, as nossas praias. Temos um património extraordinário", concluiu.