Os novos casos de infeção pelo VIH em Portugal diminuíram 17,3% em relação a 2013, continuando a crescer as infeções em homens que têm sexo com outros homens, de acordo com o relatório sobre a doença.

Da responsabilidade do Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA, o relatório “Infeção por VIH, SIDA e Tuberculose em números – 2015” indica que, em 2014, se registaram 1.220 novos casos de infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), dos quais 222 já em situação de sida.

O diretor do programa, António Diniz, sublinhou o progresso alcançado, embora tenha reconhecido que Portugal está ainda “longe da média europeia”.

Segundo o relatório enviado à Lusa, em 2014, Portugal “acentuou a tendência de decréscimo do número de novos casos notificados de infeção por VIH”.

“Os dados referentes a 2014, recolhidos até 31 de agosto de 2015, revelam uma diminuição de 17.3%, relativamente a 2013”, refere o documento.

Em relação ao género, manteve-se “a tendência de ligeiro decréscimo da proporção de casos ocorridos no género feminino”.

Os autores admitem que “esta evolução esteja a ser influenciada pela proporção progressivamente crescente de casos notificados em homens que têm sexo com outros homens (HSH)”.

Sobre este indicador, António Diniz sublinhou que, nos últimos 11 anos, o número de HSH infetados “quase que aumentou em metade”.

Por outro lado, o especialista enalteceu o “decréscimo notável de novos casos de infeção nos utilizadores de drogas injetáveis”.

Em Portugal continua a predominar a transmissão por via heterossexual, assistindo-se a um acréscimo progressivo nos homens que têm sexo com homens.

Quanto aos utilizadores de drogas injetáveis, a taxa de infeção é agora inferior à média europeia.

O responsável do programa avançou com a estimativa de 0,6 por cento de pessoas a viverem infetadas pelo VIH em Portugal, o que totaliza 59.365 cidadãos.

Em 2014 registaram-se 1.220 novos casos de VIH: 876 homens e 344 mulheres. Destes, 18,3 por cento apresentavam já sida.
 

Doentes com medicação para mais tempo 


Na sequência da apresentação deste relatório, o ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, anunciou que os doentes com VIH vão receber medicação para mais tempo, de modo a não serem obrigados a ir ao hospital no espaço de 90 dias.

Para o ministro, esta e outras medidas recentemente aprovadas visam desbloquear dificuldades dos doentes e de organizações que trabalham na área da infeção.

Um dos despachos determina que as consultas para renovação da medicação para o VIH tenham um intervalo condicionado à decisão clínica, terminando assim com a obrigatoriedade da deslocação ao serviço de três em três meses.

“A partir de agora, fica à condição da decisão clínica considerada a mais adequada que esse tempo de intervalo entre consultas possa ser superior a 90 dias”, afirmou, esclarecendo que não foi delimitado qualquer intervalo máximo de tempo, segundo reporta a Lusa.

Outra medida prende-se com os rastreios à infeção realizados por organizações não governamentais, contratualizadas pela Direção Geral da Saúde (DGS).

Os doentes cujo rastreio identificava a presença do vírus tinham, até agora, de se deslocar ao centro de saúde para serem encaminhados para a consulta hospitalar.
 

Aumentam infetados pelo VIH com mais de 50 e 65 anos

As autoridades de saúde aconselham todas as pessoas com mais de 18 anos a realizarem o teste ao VIH, tendo em conta o aumento da infeção em pessoas com mais de 50 e 65 anos.

De acordo com o relatório, mais de um quarto dos novos casos notificados em 2014 ocorreram em pessoas com 50 ou mais anos de idade e 6,5% em pessoas acima de 65 anos.

Para o diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida, António Diniz, registou-se novamente um aumento da frequência de casos em pessoas com mais de 50 e 65 anos.

Por esta razão, as autoridades aconselham a realização de um teste ao VIH a todas as pessoas com mais de 18 anos e não apenas às menores de 65 anos, como faziam até então.

Em 2014, registaram-se sete novos casos de VIH em pessoas com mais de 80 anos, 15 entre os 75 e os 79 anos, 19 entre os 70 e os 74 anos e 41 entre os 65 e os 69 anos.

O documento indica que, desde o início da epidemia em Portugal, 74,2% dos casos notificados ocorreram no grupo etário 20-44 anos e 14,6% em pessoas acima dos 49 anos.

Em 2014 voltou a registar-se uma descida de casos entre os 20-44 anos.

Em termos geográficos, as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e o Algarve concentraram 68,5% dos novos casos de VIH.

“Devem, por isso, adotar-se medidas específicas para estas regiões, nomeadamente para a área metropolitana de Lisboa”, defendem os autores do relatório.

No ano em análise, a transmissão mãe-filho da infeção por VIH registou um acréscimo do número de casos: quatro (três em 2013).

“Mesmo considerando a reduzida expressão numérica e a dificuldade de controlo de situações de afluxo de pessoas provenientes de outros países no período final de gravidez, este acréscimo deve incentivar a melhoria da estratégia de diagnóstico e adesão ao seguimento médico regular durante a gravidez das mulheres infetadas por VIH”, lê-se no documento.