Um estudo realizado no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) de Coimbra conclui que apenas 10,7% dos jovens a frequentar o 1.º ano das universidades da região centro realizaram o teste de VIH.

A conclusão do estudo «é preocupante» e chama a atenção «para a necessidade e urgência de promover a realização generalizada do teste» do vírus da sida, disse à agência Lusa a responsável pelo projeto de investigação e doutoranda da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Aliete Cunha-Oliveira.

Cerca de 70% dos alunos inquiridos tinham já iniciado a atividade sexual, com uma idade média de iniciação sexual de 16,5 anos, refere o estudo, que abrangeu 1.303 alunos do 1.º ano das universidades de Coimbra, Aveiro e Beira Interior (Covilhã).

Segundo Aliete Cunha-Oliveira, «a perceção de risco é muito baixa», apontando para os diagnósticos tardios, que representam 58% do total de diagnósticos realizados em Portugal.

«Os jovens estudantes universitários, em geral, não constituem um particular grupo de risco para o VIH», referiu.

Porém, «é sabido que entre eles há elevados padrões de comportamentos sexuais de risco» e, ao pertencerem a uma categoria transitória, «não aportam dados que sustentem a tese de ausência de risco, porque se eventualmente se infetarem pelo VIH, a infeção só será detetada quando eles já não pertencerem às categorias de jovens e de estudantes universitários», alertou a investigadora.

Ao haver diagnósticos tardios, as infeções detectadas entre os 30 e os 40 anos podem corresponder a contágios ocorridos «por volta dos 20 anos de idade ou menos», sublinhou.

No estudo, Aliete Cunha-Oliveira também registou que a média de parceiros sexuais ao longo da vida destes estudantes universitários era de 2,26 e de 1,31 nos últimos meses, sendo que 72,8% afirmavam usar preservativo com parceiro fixo e 82,2% com parceiro ocasional e cerca de 20% já tinham tido relações sexuais sob efeito de álcool ou outras drogas.

Mais de 80% já tinham sido abrangidos por programas de prevenção, mas apenas 27% se recordava da última campanha preventiva.

«A realização do teste do VIH é a única forma de combater o nosso atraso no que respeita à data do diagnóstico», referiu, frisando que parece «haver uma nova compreensão deste problema com a recente decisão de tornar o teste de VIH um exame de rotina».

Por outro lado, é também «importante realizar ações de informação e formação sobre os fatores de risco e proteção para o VIH».

Durante o seu projeto de doutoramento, a investigadora realizou sessões de formação com um grupo de intervenção de 226 alunos, registando-se «uma melhoria dos indicadores no grupo intervencionado» ao longo de 36 meses, enquanto que no grupo de controlo houve «um agravamento dos mesmos indicadores».

Os questionários do projeto de investigação foram realizados em espaço de aula, na presença de professor e da investigadora, e a média de idades dos inquiridos foi de 18,7 anos.

Os resultados do trabalho de doutoramento vão ser divulgados na quinta-feira, no âmbito das 4ª Jornadas Nacionais Ético-Jurídicas da Infeção VIH/Sida, no auditório do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.