Vasco Graça Moura foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago de Espada no final de um colóquio, que juntou ensaístas, escritores e investigadores, numa homenagem ao escritor nesta sexta-feira, em Lisboa.

«Julgo interpretar o sentimento das instituições e das personalidades que se juntaram nesta celebração da obra e do percurso de Vasco Graça Moura, assim como dos seus muitos leitores e do povo português em geral, ao decidir condecorar o homenageado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada», anunciou o Presidente da República, Cavaco Silva, na sessão de encerramento do colóquio, que se realizou esta tarde na Fundação Calouste Gulbenkian.

Antes, nas breves palavras que dirigiu na sessão de encerramento, Vasco Graça Moura confessou sentir-se «sensibilizado, comovido e embaraçado» com uma «homenagem tão gratificante» para o seu ego e «tão excessiva em si mesma», que o fez sentir-se «a cair das nuvens».

«A poesia é a minha forma verbal de estar no mundo», disse Vasco Graça Moura.

Vasco Graça Moura, desde janeiro de 2012 presidente da Fundação Centro Cultural de Belém, celebrou no ano passado 50 anos de vida literária dedicada ao romance, poesia, ensaio, crónicas, diários e traduções.

No encerramento do colóquio realizado em sua homenagem estiveram presentes, entre outros, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e o presidente da comissão europeia, José Manuel Durão Barroso.

O elogio de Cavaco e Passos

O Presidente da República e o primeiro-ministro homenagearam hoje Vasco Graça Moura, falando do escritor como «um dos nossos maiores» e elogiando a sua participação «sempre lúcida e corajosa» na vida democrática.

«Estou certo de que a nossa vida democrática, sem a sua participação, sempre lúcida e corajosa, seria mais pobre», afirmou Cavaco Silva.

Falando de Vasco Graça Moura como «uma figura de primeiro plano das letras portuguesas» e «um autor de craveira e projeção europeias», o chefe de Estado assinalou a forma como o escritor tem o «raro condão de olhar para Portugal com os olhos de um europeu, sem por isso deixar de olhar para a Europa com os olhos de um português» e destacou a sua faceta de intelectual e de cidadão empenhado.

«Na verdade, e sem prejuízo da sua projeção como artista da palavra, Vasco Graça Moura tem representado um papel da maior importância para a consolidação, entre nós, de uma sociedade que preza os valores da liberdade e da cultura. Olhando para o que tem sido a sua atuação nesse domínio, podemos associá-lo a figuras do passado, como Herculano e Garrett, a quem a atividade literária também não foi obstáculo à intervenção política e cívica, com a qual iniciaram a recuperação do nosso património e marcaram a alvorada do Portugal moderno», referiu.

«Seja sobre assuntos de política ou assuntos de cultura, a sua opinião faz-se ouvir, convicta e firme, sobretudo em se tratando de alguma causa que mais o sensibiliza. Desse ponto de vista, Vasco Graça Moura é um intelectual no verdadeiro sentido do termo, um escritor que, em vez de se refugiar nas alturas da criação artística, sente necessidade de vir a terreiro para comentar o quotidiano e dizer frontalmente o que pensa», sublinhou o Presidente da República que condecorou hoje Vasco Graça Moura com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada.

Antes, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, já tinha falado igualmente da obra e vida do escritor. «Vasco Graça Moura é um dos nossos maiores», disse, falando igualmente da sua faceta de «cidadão destemido», que fez «a conciliação entre a vida do espírito e a vida da ação».

«Poeta, amante da poesia e do legado cultural europeu e português, é simultaneamente um devoto dos deveres de cidadania, que sempre exerceu com coragem e clarividência», assinalou, enaltecendo a forma como também se voltou para a divulgação das letras e da cultura portuguesas.