A Dariacordar, que em dois anos recuperou mais de 900 mil refeições que tinham como destino o lixo, quer transformar Lisboa na «primeira capital do mundo zero desperdício», revelou à Lusa o presidente da associação.

Para isso, a Associação Dariacordar, que criou o Movimento Zero Desperdício, vai assinar na quarta-feira um protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa e a Fundação Calouste Gulbenkian para alargar o movimento a todas as freguesias da cidade.

O presidente da associação, António Costa Pereira, adiantou à Lusa que o movimento já recuperou «mais de 900 mil refeições» em apenas quatro municípios Sintra, Cascais, Loures e Lisboa.

O objetivo é estender o movimento «a mais autarquias», disse António Costa Pereira.

«Em Lisboa, começámos com uma freguesia e, neste momento, já vamos em sete e a ideia é alargar este conceito a todas as freguesias da cidade», explicou, adiantado que o primeiro passo será dado na quarta-feira com a assinatura do protocolo com a autarquia.

Segundo António Costa Pereira, vai ser a própria câmara a contactar todas as entidades públicas e privadas a juntarem-se ao movimento.

«A nossa intenção é tornar Lisboa a primeira capital do mundo zero desperdício», através de «ações muito concretas», contou o mentor do movimento, dando como exemplo «uma campanha» dirigida às crianças.

«Para mudar o mundo, tem de começar-se pelos mais novos. Se eles perceberem o que é o desperdício, daqui a uns anos isto não volta a acontecer e vão envergonhar os mais velhos se não se portarem bem», considerou.

Dois anos após a criação do movimento, o mentor do projeto fez um balanço «francamente positivo» da iniciativa, lançada a 16 de abril de 2012.

«O movimento está a crescer e, neste momento apoia cerca de 2.100 famílias, que abrangem cerca de 7.300 pessoas», adiantou.

O Zero Desperdício é «uma atitude contra o desperdício», que tem várias vantagens: Sociais, ajuda quem precisa, económicas, ambientais e cívicas.

O movimento tem lutado contra o desperdício, através do aproveitamento de milhares de refeições em «perfeitas condições que eram deitadas ao lixo» por restaurantes, empresas e instituições devido a uma má interpretação da lei.

«Tornámos legal a recolha de refeições em condições» e o «facto de ser legal deu mais conforto a quem quer doar refeições», comentou.

O movimento conta já com cerca de 100 «parceiros doadores», entre os quais a Assembleia da República, o Banco de Portugal, a Caixa Geral de Depósitos, supermercados, hotéis, hospitais, escolas, refeitórios de empresas e eventos.

Estas entidades doam as refeições, que nunca foram servidas, nem estiveram em contacto com o público, a cerca de 60 instituições dos quatro municípios, que depois as distribuem pelas famílias que sinalizaram.

Todas as instituições que trabalham com o movimento recebem formação na área da higiene e segurança alimentar, porque «há regras simples, mas necessárias para que as refeições cheguem em condições», esclareceu.

«Isto são verdadeiras parcerias», defendeu António Costa Pereira que deu um «novo nome» às PPP: «Parcerias Pelas Pessoas»