Os taxistas da Grande Lisboa iniciaram hoje de manhã uma marcha lenta desde o Campo das Cebolas até à Assembleia da República em protesto contra a degradação das condições de trabalho.

Empunhando uma faixa negra onde se lê «trabalho sim, falências não», cerca de uma dezena de taxistas inauguraram uma marcha a pé, seguindo-se uma caravana de veículos.

Os carros dos taxistas buzinaram na passagem frente ao Ministério das Finanças num sinal de contestação contra as medidas do Governo.

De Odivelas veio Álvaro Loureiro que tem três táxis e revelou à agência Lusa que está «na contingência de poder despedir pessoas».

O taxista explicou que as dificuldades devem-se à diminuição «de 50 por cento de clientes», ao aumento do gasóleo e ao aumento do pagamento por conta sem ser deduzível no IRC.

A marcha tem complicado esta manhã a circulação na baixa lisboeta, uma vez que o trânsito tem sido cortado à passagem dos taxistas.

Contactado telefonicamente pela Lusa, o presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros, Florêncio de Almeida, admitiu não saber quantos táxis estão a caminho de São Bento, mas garantiu ser mais de uma centena.

«Estavam concentrados no Campo das Cebolas, agora [cerca das 10:00] estão a descer para Santa Apolónia e vão para São Bento [onde] ficam ali até à aprovação do Orçamento» do Estado para 2014, explicou António Florêncio.

A aprovação do Orçamento do Estado para 2014 vai ser hoje acompanhada por protestos junto à Assembleia da República, que vão juntar trabalhadores, pensionistas e pequenos empresários que pretendem contestar o agravamento da austeridade.

A CGTP convocou um «Dia Nacional de Indignação, Protesto e Luta» cujo ponto alto será a manifestação junto ao parlamento, onde, ao final da manhã, será votado o OE.

A Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (PPME) também convocou os seus associados para o mesmo local para protestar contra o orçamento.

A UGT vai ter uma delegação, liderada pelo secretário-geral, Carlos Silva, nas galerias da Assembleia da República durante a votação final global em plenário da proposta de Lei que aprova o Orçamento do Estado para 2014.

Para Lisboa estão marcadas cinco concentrações que vão convergir para a Assembleia da República, onde o secretário-geral da Intersindical, Arménio Carlos, fará uma intervenção político-sindical ao final da manhã.

No Largo da Estrela concentram-se os trabalhadores dos distritos de Leiria, Santarém e do Alentejo, no Largo do Rato concentram-se os reformados e pensionistas, no Largo de Santos os trabalhadores do Distrito de Setúbal, no Largo do Camões os do distrito de Lisboa e no Largo Trindade Coelho encontram-se os jovens.

Para a tarde está marcada outra manifestação para S. Bento, divulgada através das redes sociais, para pedir a demissão imediata do Governo.