A justiça portuguesa absolveu, nesta sexta-feira, todos os dez arguidos que estavam acusados dos crimes de burla e falsificação de documentos no processo das contrapartidas dos submarinos. O Ministério Público já fez saber que vai recorrer da sentença.

O acórdão do julgamento do caso das contrapartidas associadas à compra por Portugal de dois submarinos ao consórcio alemão German Submarine Consortium (GSC) foi apresentado nesta sexta-feira nas Varas Criminais de Lisboa. O processo, julgado por um coletivo de juízes presidido por Judite Fonseca, tem dez arguidos, três alemães, ligados ao fabricante germânico, e sete empresários portugueses.

Nas alegações finais, realizadas a 13 de novembro último, o Ministério Público pediu para os dez arguidos uma pena de prisão inferior a cinco anos, eventualmente suspensa, pelos crimes de burla e falsificação de documentos.

O procurador Victor Pinto justificou o pedido de pena suspensa pela falta de antecedentes criminais dos arguidos, sublinhando porém que a sanção a aplicar aos três arguidos alemães tem de ser mais pesada, dado que foram os principais beneficiários do negócio das contrapartidas, associado à compra dos dois submarinos de fabrico germânico.

Victor Pinto impôs como condição para a aplicação de pena suspensa, que os dez arguidos pagassem solidariamente ao Estado uma verba de 104 mil euros.

Também nas alegações finais, o advogado de defesa Nuno Godinho de Matos pediu a absolvição dos arguidos alemães da empresa germânica Ferrostaal, alegando que o MP não pode exigir a condenação com base «em conjeturas» e mera interpretação dos factos. Alegou ainda não estarem preenchidos os requisitos de crime de burla - o mecanismo enganoso e o consequente prejuízo causado.

O advogado criticou o facto de que a acusação deduzida pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) tenha sido decalcada na perícia realizada pela consultora Inteli, que, antes, trabalhou e foi paga pelo consórcio alemão da Man Ferrostaal.

João Perry da Câmara, advogado do arguido António Lavrador, disse que «o MP não produziu qualquer prova dos factos imputados aos arguidos», e que foram os arguidos, com a prova produzida em julgamento, a fazerem um «cabal esclarecimento de todas as dúvidas suscitadas pelo MP».

Portugal contratualizou e consumou, com o consórcio GSC, que incluía a Man Ferrostaal, a compra de dois submarinos, em 2004, por mil milhões de euros, quando Paulo Portas era ministro da Defesa Nacional, e Durão Barroso, primeiro-ministro.