Um grupo de sem-abrigo que esta sexta-feira se reuniu no Museu Soares dos Reis, no Porto, para encontrar soluções para a pobreza extrema lamentou «que não existam leis adequadas que defendam as pessoas que vivem nas ruas».

Este encontro, que contou com o apoio do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo da Cidade do Porto (NPISA), teve como objetivo sensibilizar as pessoas para esta realidade e tentar encontrar soluções para a combater.

«Estão aqui [entre os cerca de 300 participantes] pessoas que resolveram deitar as mãos à obra para poderem sair desta situação», explicou António Ribeiro, ex-sem-abrigo e um dos responsáveis pela organização do evento Vozes do Silêncio.

«Chegar a este ponto é muito fácil, sair é que é muito mais complicado. E o que todos pretendemos, os que por lá passámos, é sair desta situação. Com este tipo de evento, queremos expor as nossas vivências, queremos chamar a atenção, ser ouvidos e saber como podemos sair deste poço», esclareceu António Ribeiro.

O responsável pela organização das Vozes do Silêncio consegue apontar o dedo ao que está mal e garantiu que não se vai acanhar em enumerar os problemas.

«Iremos dizer que as respostas que nos dão não são adequadas, isto tudo por causa de uma lei que é inadequada para os sem-abrigo. E quereremos ouvir deles as respostas para a resolução destas situações», disse ainda.

O 3.º encontro de «As vozes do Silêncio - Uma vida como a arte - Existimos!» realizou-se durante o dia de hoje com a presença de vários sem-abrigo que partilharam as suas experiências, bem como personalidades influentes, como Manuel Pizarro, vereador da Habitação e da Ação Social da Câmara do Porto, entre outros.

«Eu venho aqui sentar-me para os ouvir. Venho ouvir o que eles têm para me dizer, consciente de que a pobreza extrema e da exclusão social extrema, que os sem-abrigo representam, é uma situação que nós temos que ajudar a superar. Sonho com uma cidade do Porto em que não haja sem-abrigo e trabalharei todos os dias, em conjunto com os sem-abrigo, em conjunto com as instituições oficiais e de solidariedade social da cidade, para que nós possamos ajudar a dar uma resposta», afirmou o vereador.