Atualizado às 16:41

O avião das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) que caiu no norte da Namíbia transportava seis cidadãos de nacionalidade portuguesa, avançou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário.

Segundo os primeiros dados fornecidos pela transportadora LAM, entre os 27 passageiros constavam cinco portugueses, mas o número foi atualizado para seis pelo Governo português, com José Cesário a referir, sem especificar, que existem casos de dupla nacionalidade.

Soube-se entretanto, que o cidadão brasileiro que estava no avião tinha dupla nacionalidade . Era luso-brasileiro. Daí a discrepância entre o número de vítimas mortais avançado pela transportadora, cinco portugueses, e o número mais tarde confirmado pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, seis cidadãos nacionais mortos.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português revelou, em comunicado, que já foram contactados os familiares de quatro dos portugueses que viajavam no voo TM470, entre Maputo e Luanda, em "codeshare" com a angolana TAAG.

Além dos cidadãos portugueses e dos seis tripulantes, no avião seguiam, segundo a LAM, passageiros de nacionalidade moçambicana, angolana, francesa, brasileira e chinesa.

O acidente já levou o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, a convocar hoje um Conselho de Ministros extraordinário para avaliar a situação.

A polícia da Namíbia confirmou que o avião da LAM despenhou-se numa zona de floresta ,num parque nacional perto, da fronteira com a Angola e o Botsuana. As autoridades dizem que não há sobreviventes.

Fonte das autoridades da Namíbia diz que «aparelho ficou reduzido a cinzas». O aparelho terá ardido completamente, após despenhar-se numa zona sem acessos e de terreno difícil para as equipas de buscas.

A agência France Presse citava esta manhã o coordenador da polícia criminal da região de Kavango, Willie Bampton, segundo o qual terá sido visto fumo num zona da Namíbia, já próxima da fronteira com o Botsuana e que habitantes de aldeias próximas terão ouvido várias explosões.

O avião da LAM estava desaparecido desde sexta-feira quando sobrevoava o norte da Namíbia, numa zona perto do Botsuana e de Angola, onde se verificaram chuvas muito fortes.

O Presidente da República enviou hoje uma mensagem de condolências às famílias das vítimas do acidente do avião das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), na Namíbia, manifestando a sua «grande consternação» pelo ocorrido. Também Passos Coelho apresentou «toda a solidariedade» às famílias das vítimas do acidente.

LAM continua banida de voar no espaço europeu

A empresa pública Linhas Aéreas de Moçambique tem vindo a remodelar a sua frota, mas continua banida de voar no espaço europeu.

O avião Embraer 190, de fabrico brasileiro, que desapareceu é um dos modernos aviões escolhidos pela LAM para a renovação da sua frota, anteriormente constituída por aparelhos Boeing.

Desde 2011 que a empresa está banida de voar no espaço europeu, o que provocou o fim do voo para Lisboa, a única ligação que mantinha com este continente, «por deficiências de segurança».

Desde então,a LAM tem tentado, sem sucesso, convencer as instâncias europeias da eficácia das medidas que tomou para resolver a situação.

A LAM, criada em 1980, e que emprega 695 trabalhadores, é a herdeira da DETA, surgida em 1936, no período da administração colonial portuguesa.