O casal português a quem a justiça britânica retirou os filhos, entregando-os aos serviços sociais britânicos por suspeita de maus tratos, manifestou-se esta terça-feira otimista após receber o apoio da diplomacia portuguesa.

«Correu bem, não podemos adiantar muito a conversa porque prometemos que não adiantaríamos. Foi positivo», disse Carla Pedro aos jornalistas após uma reunião na embaixada de Portugal em Londres com o adido social, José Galaz, e uma advogada portuguesa com experiência neste tipo de casos.

A emigrante de 37 anos, natural de Almeirim, admitiu que «o governo português não dá apoio legal, mas outro apoio, sim».

Os cinco filhos do casal, de três, cinco, sete, 13 e 14 anos, estão à guarda dos serviços sociais do condado de Lincolnshire, no este de Inglaterra, desde abril do ano passado, devido a alegados maus tratos físicos.

O Tribunal de Família determinou a 10 de dezembro, segundo Carla Pedro, a entrega dos três filhos mais velhos a uma família de acolhimento «a longo termo» e dos dois mais novos para adoção, tendo os pedidos de recurso de ambos sido recusados.

Mas, com a ajuda de uma advogada portuguesa, que não quis ser identificada, Carla e José Pedro tencionam agora avançar com uma «revisão judicial» para o Supremo Tribunal de Justiça [High Court], apesar de ser um processo que poderá demorar vários meses.

Entretanto, Carla Pedro afirmou a intenção de provar a inocência da suspeita de de conspiração para raptar os filhos, razão invocada pela polícia de Grantham, localidade onde residem, para os prender, juntamente com outras duas pessoas, na passada sexta-feira.

«Agora, o mais importante é limpar o nosso nome e provar que estamos inocentes. As acusações não têm pés nem cabeça», argumentou.

O casal foi libertado sob caução enquanto as autoridades prosseguem as investigações, devendo apresentar-se novamente à polícia a 21 de maio, adiantaram.

Um sinal da incoerência do processo, vincaram, é que não conhecem nem tem relações com as outras duas pessoas detidas na mesma operação, uma das quais lituana.

«Para mim isto foi uma armadilha dos serviços sociais para para darem a ideia aos nossos filhos de que os abandonámos e não os queremos ver. Já estamos há dois meses sem os ver e metem mais um processo destes para alegarem o que quiserem às crianças», afirmou José Pedro, 43 anos e condutor de empilhador.

Carla e José Pedro, que têm sido apoiados pela associação McKenzie Friends, prometem continuar a lutar pela custódia dos filhos e pensam regressar a Portugal caso consigam recuperá-los ou pedir a sua transferência para uma instituição portuguesa.

«Só quero os meus filhos para me ir embora daqui. Nem que seja numa instituição em Portugal, em vou para Portugal e meto os papéis em tribunal. Eu luto pelos meus filhos, eu não fiz nada. Eu corro o mundo inteiro, eu não vou desistir», disse José Pedro.