O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), disse hoje os problemas de higiene urbana decorrentes da greve na recolha do lixo só devem estar resolvidos a partir do dia 10 de janeiro.

Os cantoneiros de Lisboa estão em greve desde terça-feira e até 5 de janeiro, em protesto contra a transferência de competências da Câmara para as juntas de freguesia, nomeadamente a limpeza e recolha de lixo.

Esta tarde, em conferência de imprensa, António Costa disse que as consequências da greve têm sido muito grandes e que, para minimizar a situação, a autarquia vai colocar contentores das obras nas zonas mais afetadas da cidade.

«A situação mais grave é nas zonas dos bairros históricos e, portanto. Vamos fazer um esforço complementar com a colocação de um conjunto de contentores das obras», para evitar, «na medida do possível, que o lixo se espalhe», explicou.

António Costa perspetivou que a situação não irá ficar totalmente normalizada antes do dia 10 de janeiro e explicou que a autarquia só poderá tomar medidas para minimizar os efeitos da greve, uma vez que está limitada por lei.

«Não me lembro que a cidade tenha alguma vez vivido uma situação desta natureza. Como a greve às horas extraordinárias vai prosseguir até ao dia 5, isso significa que o esforço complementar que habitualmente fazemos vai levar bastante mais tempo», afirmou o autarca

O autarca comentou ainda os motivos evocados pelos sindicatos para fazer greve, dizendo que a lei de descentralização de competências foi preparada durante cinco anos e assegura os direitos dos trabalhadores.

«Está garantido o vínculo público. Os funcionários que transitam para as freguesias passam a ser funcionários das freguesias. Conservam todos os direitos adquiridos e até mesmo os direitos específicos dos trabalhadores do município de Lisboa», assegurou.

Nesse sentido, o autarca criticou o facto dos sindicatos se insurgirem contra este processo, acusando-os de descredibilizar o poder local.

«Acho chocante alguns dirigentes sindicais associarem-se à campanha de descredibilização do poder local e das freguesias, duvidando das suas capacidades para exercerem as competências que a lei lhes atribui», argumentou.

Entretanto, esta tarde o grupo do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa anunciou que se vai reunir na segunda-feira com os sindicatos dos trabalhadores da higiene urbana do município.