A PSP impediu a invasão do Ministério da Educação, em Lisboa, na sequência de um protesto de professores, nesta quarta-feira.

Além do reforço policial, foram colocadas grades de proteção para impedir a ocupação do edifício, como aconteceu na véspera nos ministérios da Economia, Finanças, Saúde e Ambiente.

As duas dezenas de docentes contratados que se concentraram à porta do Ministério pediam a demissão do ministro Nuno Crato e a eliminação da prova de carreira.

A manifestação começou de forma organizada, no Campo Pequeno, mas no final dos discursos dos dirigentes sindicais, incluindo o do secretário-geral da UGT, Carlos Silva, os professores avançaram de forma espontânea até ao Ministério, tendo começado a desmobilizar pouco depois das 21:00.

A Federação Nacional da Educação anunciou também a apresentação de «mais providências cautelares» para obrigar o Governo a desistir da medida.

«Temos providências cautelares que estão à espera de resolução e hoje a FNE apresentou novas providências cautelares em relação a um conjunto de injustiças», disse aos jornalistas o secretário-geral da Federação, João Dias da Silva.

A FNE já tinha apresentado uma providência cautelar pela «injustiça» da prova e hoje apresentou uma nova, a propósito das «condições de realização da prova». É que, disse João Dias da Silva, por exemplo professores que estejam a trabalhar no ensino da Cultura e da Língua portuguesas na África do Sul, que sejam contratados e que queiram vir a ser colocados no próximo ano, terão de vir a Portugal realizar a prova.

O mesmo se passa com professores noutras partes do mundo, da Alemanha ao Luxemburgo ou à Suíça, da Guiné-Bissau, Cabo Verde e Angola a Timor-Leste, salientou o secretário-geral, lembrando que, também nos Açores, terão de se deslocar, porque a prova apenas se realiza em três das nove ilhas da região.

Quer a FNE quer Federação Nacional dos Professores (Fenprof) têm protestado contra a realização da prova de avaliação de conhecimentos dos professores, marcada para 18 de dezembro, dia para o qual a FNE já agendou uma greve.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, disse não estar em causa a avaliação de qualquer trabalhador, mas acrescentou que não faz sentido que pessoas com 15 ou 20 anos de carreira continuem a contrato e que tenham agora de fazer uma prova de aferição. «É lançar um anátema sobre os professores», considerou.

João Dias da Silva pediu ainda ao Governo «bom senso» e que, caso insista na prova, ao menos que «não tenha como alvo pessoas que têm servido o sistema educativo».

«Se o Ministério insistir na realização da prova, consideramos que há um grupo de pessoas relativamente às quais se torna indispensável ter um sinal de respeito, que são os que têm servido o sistema educativo. Os que já foram avaliadas no sistema educativo não devem realizar esta prova», esclareceu.