O teste de diagnóstico de inglês para os alunos do 9º ano «podia ter sido feito por alunos do 6º ano», garantem os bons alunos, mas até aqueles que geralmente têm piores notas reconhecem que a prova «era fácil».

«Era muito fácil. É um insulto à minha inteligência. Até miúdos do 6º ano a podiam fazer», disse à Lusa Alexandre, aluno do 9º ano, à saída do exame na escola básica da Quinta de Marrocos, em Benfica, Lisboa.

Um total de 121 mil alunos, maioritariamente do 9º ano, mas não só, e com idades entre os 11 e 17 anos, fizeram esta quarta-feira o «Key for School Portugal», depois de várias polémicas que envolveram a prova certificada pelo Cambridge English Language Assessment, organismo que pertence à Universidade de Cambridge.

Ricardo, da turma de Alexandre, e que reconhece não ser bom aluno a inglês, considerou que a prova lhe correu bem, que «até era fácil» e que as quase duas horas previstas para a realização eram suficientes para a concluir.

Ana, uma aluna com dificuldades à disciplina, e que espera uma negativa nesta prova de diagnóstico, admite que o teste era fácil. Por não achar, à partida, que conseguiria um bom resultado, não se inscreveu para a obtenção de um certificado do Cambridge e adiantou que na turma dela ninguém o fez.

Inês, à saída da prova ainda discutia as perguntas com as colegas, apesar de lhe ter corrido bem o exame.

«Era o que estávamos à espera», disse a estudante do 9º ano de escolaridade à Lusa, que espera uma boa nota e optou por se inscrever para o certificado.

As críticas à prova de inglês do Cambridge começaram quando foi conhecida a decisão do Ministério da Educação e Ciência (MEC) em escolher aquela organização para realizar um teste de diagnóstico nas escolas públicas.

O pagamento dos certificados de habilitação, o baixo nível de exigência da prova tendo em conta o nível de conhecimento dos examinandos, a dificuldade em recrutar professores para fiscalizar e corrigir a prova foram algumas das críticas.

Esta semana, a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) voltou a falar em «falta de igualdade de oportunidades para todos os alunos», uma vez que o certificado do teste tem de ser pago.

Outra das críticas ao teste surgiu também esta semana, quando os professores foram confrontados com um extenso guia de 21 páginas com instruções para seguir dentro da sala de aula.

Pela primeira vez, os alunos fazem uma prova nacional a lápis e os professores corrigem-na no computador.

Depois da prova escrita (de reading, writing and listening), os alunos realizarão a componente oral, até ao dia 30 de junho.