O secretário-geral Federação Nacional dos Professores (Fenprof) classificou, esta sexta-feira, de «idiotice» o guia de prova de acesso à carreira dos docentes e ameaçou com várias formas de protesto até ao dia da avaliação.

De acordo com o Guia da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades, divulgado pouco antes da meia-noite de quinta-feira, os professores que na construção do texto da prova tenham mais de dez erros de ortografia, de pontuação ou de morfologia serão classificados com zero valores nesse item.

«Estamos perante a estupidez assumida pelos responsáveis do Ministério da Educação, isto não tem sentido nenhum», comentou à agência Lusa Mário Nogueira, que admite, ainda assim, não ter ficado surpreendido com o tipo de prova apresentado.

«Quanto mais idiota esta prova fosse, mais nós deixávamos de estar surpreendidos, porque na verdade esta prova é uma idiotice, não faz qualquer tipo de sentido», afirmou.

Mário Nogueira adiantou que os professores que vão realizar a prova fizeram um curso de formação específica com profissionalização para a docência. «Estamos a falar, na maior parte, de professores que trabalham há 20 anos, que têm tido excelentes, muito bons e bons», sublinhou o secretário-geral da Fenprof.

Para Mário Nogueira, esta prova «é humilhante e inqualificável», que tem como objetivos «pôr na rua» os professores. «Estes professores vão pagar a bala para serem abatidos», comentou, disse ainda, referindo-se aos 20 euros que os docentes vão ter de pagar para realizar a prova.

Já o secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE), João Dias da Silva, disse que o guia da prova para os professores contratados, divulgado quinta-feira, confirma a «inutilidade» do teste e «desconsidera» o trabalho realizado pelos docentes. «A estrutura da prova confirma aquilo que é a nossa impressão de que não serve rigorosamente para nada, que é uma inutilidade, um desperdício de recursos e de energia para que não se prove rigorosamente nada», disse João Dias da Silva à agência Lusa.

O secretário-geral da FNE considera ainda que o guião vem confirmar «a desconsideração» que a prova representa para professores com formação superior e um diploma que atesta os seus conhecimentos e capacidades. «Agora o ministério está a submetê-los a uma prova que não prova rigorosamente nada», disse, acrescentando que para as pessoas que «já estiveram a trabalhar no sistema educativo esta é uma prova que desconsidera o trabalho realizado».

Por isso, João Dias da Silva sustenta que, sejam quais forem os resultados, «numa prova desta natureza não ficará provado que as pessoas têm competência, conhecimentos e capacidades para serem professores».