O secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE), João Dias da Silva, disse esta segunda-feira em Coimbra que os professores contratados não têm medo de realizar a prova de avaliação exigida pela tutela.

«Estamos a distribuir este panfleto para explicar às pessoas que os professores não têm medo de realizar qualquer prova. Estes professores foram avaliados muitas vezes durante o seu processo de formação inicial nas instituições de ensino superior», afirmou João Dias da Silva, à margem de uma concentração no Largo da Portagem.

O líder sindical frisou ainda que os professores contratados «que já trabalharam» estão sujeitos a avaliação de desempenho nas suas escolas.

«Se há alguma coisa de que estas pessoas não têm medo é de avaliação, é isto que queremos dizer à população», reafirmou.

Questionado sobre a pouca adesão de professores à iniciativa de hoje, integrada na campanha «Todos Contra a Prova» - cerca de duas dezenas de docentes e dirigentes sindicais marcaram presença na iniciativa -, João Dias da Silva apontou como justificação a hora do início da concentração, que estava agendada para as 17:30 de hoje.

«A esta hora há muitas pessoas que não têm a possibilidade de estar aqui», alegou, argumentando que, por esse facto, os professores entregam à FNE «a tarefa de esclarecer a população».

Frisou, a esse propósito, que a estrutura sindical, abriu uma página da campanha na rede social Facebook e «no espaço de três dias» recebeu cerca de 22 mil manifestações de «concordância» com as razões dos opositores da prova de avaliação.

Protesto de professores juntou duas tendas na alta universitária

O acampamento contra a prova de avaliação dos professores contratados, agendado para o largo D. Dinis, na alta universitária de Coimbra, limitou-se a juntar duas tendas no início da iniciativa de protesto, constatou a Lusa no local.

Ao início do protesto, cerca das 20:15 de hoje, a adesão cingia-se a pouco mais de uma dezena de pessoas, reunidas em redor de um mesa, um fogareiro e castanhas assadas, embora a organização, a cargo do movimento «Professores contra a Prova, pela Escola Pública» garanta que mais elementos são esperados hoje no local, para ali passarem a noite.

«Para já ainda estamos a aquecer. Mas, acima de tudo, queremos é marcar uma posição, queremos demonstrar que o acampamento também é uma forma precária, que traduz a nossa situação nos últimos anos, com a casa às costas, sempre de um lado para o outro», disse à agência Lusa André Pestana, um dos promotores da iniciativa.

Justificou a escolha do local por a Universidade de Coimbra ser aquela «com mais simbolismo no país». «Queremos aqui dizer claramente que não tirámos o curso num domingo, não tirámos o curso por equivalências, tirámos cursos específicos para a docência, e obrigar professores, com dez anos de carreira, muitos deles no desemprego, ainda por cima a pagarem 20 euros para fazerem uma prova de avaliação, é uma humilhação total», alegou.