O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, defendeu esta quarta-feira que a rede nacional de postos de vigia para deteção de incêndios, atualmente da responsabilidade da GNR, deve passar a ser gerida pelas autarquias locais.

«A GNR não deve ter. Mas este ano ainda vai ter» que gerir os postos de vigia, disse Miguel Macedo aos deputados do Grupo de Trabalho para Análise da Problemática dos Incêndios Florestais, constituído no âmbito da Assembleia da República.

O ministro considerou que devem ser as autarquias locais a tomar conta da rede nacional dos postos de vigia para deteção de incêndios.

«Uma fórmula para esta matéria passaria pela contratualização com os municípios», disse Miguel Macedo, adiantando que o investimento passa por "meios alternativos de vigilância".

Para tal, e do ponto de vista tecnológico, a GNR esta a estudar um conjunto de mecanismos nesta área, salientou.

Os 231 postos de vigia da GNR funcionam durante o verão e, nesses meses, costumam dar emprego a cerca de 1.000 pessoas.

No parlamento, Miguel Macedo admitiu também que existem faltas de condições de treino dos bombeiros portugueses, avançando que é uma matéria em que «há quase tudo para fazer».

«Estamos muito longe de ter as condições de treino que deviam ser adequadas para este tipo de situações», disse, sublinhando que é necessário treinar as rotinas de procedimentos e de comando, além das abordagens de determinado tipo de terrenos.

«No treino, temos um mundo quase completo para fazer», afirmou.

Sobre a formação ministrada aos bombeiros, Miguel Macedo referiu que está a decorrer uma «revisão completa ao programa da Escola Nacional de Bombeiros», que passa em aproximar a formação aos corpos de bombeiros e recorrer às novas tecnologias.

«Sem prejuízo da formação dada na escola, temos que levar a escola para junto dos bombeiros», sustentou, acrescentando que, antes da época de fogos, vão realizar-se ações de formação em estruturas espalhadas pelo país.

O governante explicou que os contratos assinados, em março do ano passado, para aquisição de equipamentos para proteção individual dos bombeiros, no valor de quatro milhões de euros, ainda não estão concluídos.

No entanto, já foi aprovado um novo caderno de encargos para o lançamento de um concurso público para aquisição de equipamento individual de bombeiros, no valor de sete milhões de euros, adiantou Miguel Macedo, esperando que estes meios estejam disponíveis para a próxima época de incêndios florestais.

Aos deputados do grupo de trabalho, o governante disse ainda que estão a ser criadas bases logísticas, em vários pontos do país, para apoiar as estruturas de bombeiros durante a época de fogos, locais onde será possível aos profissionais descansar, tomar banho e comer.

O ministro reconheceu que a falta de apoio às estruturas de bombeiros «ficou bem visível» durante os incêndios florestais de 2013.