O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) afirmou hoje, em Fátima, que os portugueses «muito dificilmente» conseguem pagar mais impostos, defendendo que se vá ir procurar onde existe possibilidade de os pagar.

Manuel Clemente, questionado pelos jornalistas sobre o previsto aumentos de impostos, defendeu que «sobretudo que aqueles que não podem arcar com mais impostos não arquem».

«E se há alguma coisa ainda que ir buscar, que se vá buscar onde ainda pode haver», disse.

O patriarca de Lisboa falava na conferência de imprensa após mais uma assembleia plenária do episcopado português, onde foi questionado sobre o Documento de Estratégia Orçamental (DEO) que prevê, entre outras coisas, um aumento da taxa normal do IVA para 23,25%.

Manuel Clemente adiantou que está à espera do debate parlamentar previsto para os próximos dias para «ficar mais esclarecido» e ver «como é que o Governo se explica, como é que as oposições também se explicam para encontrar dentro do quadro que é nacional e é muito de imposição internacional a melhor solução».

Para o patriarca de Lisboa, «o que se tratou da parte do Governo foi, garantindo uma receita que acha ou que outros mandam que garanta, dispersar mais a carga e não só sobre os pensionistas e os funcionários públicos».

«Parece que foi essa a intenção, mas estou muito atento ao debate que se vai seguir», acrescentou.

O Governo apresentou na quarta-feira o DEO que prevê um aumento da taxa normal do IVA para 23,25% e um aumento dos descontos dos trabalhadores para a Segurança Social.

No DEO, que define as linhas de orientação para as políticas com incidência orçamental até 2018, está ainda previsto que os cortes salariais na função pública comecem a ser devolvidos de forma gradual.