Os portugueses compraram em média, por dia, até agosto mais de 75 mil embalagens de antidepressivos, estabilizadores de humor, tranquilizantes, hipnóticos e sedativos, um aumento de 1,9 por cento face ao mesmo período do 2012, revelam dados da consultora IMS Health.

No total, entre janeiro e agosto deste ano, foram vendidas 18 milhões de embalagens destes medicamentos, mais 339.961 caixas (1,9 por cento) relativamente ao período homólogo de 2012, indicam os dados divulgados à agência Lusa a propósito do Dia Europeu da Depressão, que se assinala no dia 01 de outubro.

Apesar do aumento das vendas destes medicamentos, os custos para o Estado e para o utente diminuíram.

De acordo com a consultora, o custo para o Estado com estes medicamentos foi de 30,4 milhões de euros (-10 por cento face ao ano passado) e para o utente de 56,4 milhões de euros (-8 por cento).

Neste período, foram vendidas 9.098.349 embalagens de tranquilizantes, mais 130 mil face a 2012, 5.145.927 caixas de antidepressivos/estabilizadores de humor (mais 175.865) e 3.839.456 embalagens de hipnóticos e sedativos (mais 33.991).

No total do ano de 2012, foram vendidas 26,6 milhões de embalagens destes fármacos, uma média de 75.000 caixas por dia, que totalizaram um custo para o Estado de cerca de 49,5 milhões de euros e para o utentes de cerca de 90,2 milhões de euros.

A IMS Health ressalva que «os custos do Estado e do utente, por defeito, consideram que todos os medicamentos comparticipados são vendidos mediante receita médica e por isso a comparticipação é aplicada. Contudo, na realidade isto nem sempre acontece».

«Por outro lado, também não detetamos os casos de regime especial de comparticipação, onde os níveis de ajuda por parte do Estado são mais elevados», acrescenta.

Contactada pela agência Lusa, a presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, Luísa Figueira, disse que tem aumentado a afluência aos serviços de utentes com problemas de saúde mental.

«É frequente os médicos de família enviarem-nos doentes com episódios de depressão, colocando nas causas o desemprego e dificuldades económicas graves», disse a também diretora do serviço de psiquiatria hospital Santa Maria.

Por outro lado, muitos doentes que estavam a ser acompanhados em consultórios privados querem passar para o serviço público porque não têm recursos para pagar as consultas, disse Luísa Figueira.

A especialista adiantou que os serviços têm tido, até agora, capacidade para acompanhar estes casos. «Mas mais do que tratar também era importante a reintegração destes doentes no trabalho, o que passa por um trabalho junto das pessoas que os empregam», salientou Luísa Figueira.

A Associação Europeia da Depressão, que promove o Dia Europeu da Depressão, escolheu como tema deste ano para a efeméride «Recessão económica e depressão no trabalho».