Agentes de várias esquadras de Lisboa estão revoltados por terem sido chamados a separar 10 milhões de tampas de plástico, verdes e vermelhas, para fazer uma bandeira de Portugal para as comemorações do dia de 10 junho.

O Comando Metropolitano de Lisboa quer bater o recorde do Guiness e apoiar a seleção portuguesa e Instituições de Solidariedade Social, mas a medida está a levantar polémica, uma vez que está a deixar os polícias sem o obrigatório descanso semanal. As folgas foram suspensas a todo o efectivo devido aos vários eventos de relevância que ocorrem por esta altura. Desde a final da Liga dos Campeões, as Eleições Europeias e o festival de música Rock in Rio.

Segundo o Sindicato Unificado de Polícia (SUP), segundo o qual pelo menos 14 polícias de patrulhamento vão estar empenhados diariamente, até 10 de junho, numa tarefa que consiste em «separar e juntar 15 toneladas de tampinhas plásticas para fazer uma superbandeira para apoiar a seleção nacional de futebol e bater um recorde do Guiness».

A agência Lusa contactou o Comando Metropolitano de Lisboa, tendo apenas obtido como resposta que o trabalho que está a decorrer ao abrigo da designada «Bandeira da Esperança» (tampinhas 100% recicladas) é «totalmente feito em regime de voluntariado», tanto pelos agentes como pela sociedade civil.

No entanto, o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), Paulo Rodrigues, afirmou, em declarações à Lusa, ter confirmado casos de agentes que foram obrigados a aderir à iniciativa, estando uns no tempo de serviço e outros no de folga.

«Concordamos com a iniciativa, visa comprar cadeiras de rodas e esse tipo de equipamento. Discordamos é da forma como o Comando Metropolitano de Lisboa obrigou os efetivos a participar nesta iniciativa», referiu.

«Aquilo que temos conhecimento é que houve elementos da polícia que foram voluntários e participaram nessa iniciativa e houve outros que foram obrigados a deslocar-se para aquele lugar e participar nessa iniciativa obrigados, o que nós discordamos porque não faz parte do seu conteúdo funcional e, portanto, a sua participação devia ter sido voluntária», sustentou.

«Não fazendo parte do seu conteúdo funcional, à partida não deviam ter sido obrigados a participar nessa iniciativa», reiterou Paulo Rodrigues.

A ASPP emitiu, entretanto, um comunicado no qual exige a retirada imediata da ordem em causa.

«Após ter confirmado a veracidade da notícia em relação à ordem hierárquica que obrigava alguns polícias a participarem na separação das tampas [de garrafas], a ASPP/PSP exige que a ordem seja retirada de imediato», lê-se no comunicado.

A organização defende ainda que é urgente a Direção Nacional da PSP averiguar o que esteve na base da «ordem emanada».