A Câmara de Ovar avançou esta segunda-feira com obras de emergência a sul do Furadouro, local onde o presidente da autarquia diz ser «impossível esperar mais», porque parte do piso da marginal cedeu e há áreas ocas sob a superfície.

Segundo o presidente da Câmara, Salvador Malheiro, a intervenção tem o aval da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, com quem a autarquia estava ainda em negociações para financiamento das obras.

«Apesar de ainda não termos assinado o contrato, não podemos esperar mais», disse Salvador Malheiro, adiantando que, face às previsões de forte agitação marítima, é mesmo necessário agir, caso contrário «a maré de logo à tarde acaba com o que sobra quando o mar, em vez de bater nas pedras, começar a bater mesmo na marginal».

A zona afetada já estava interdita ao público e a respetiva defesa evidenciava «três rombos grandes», mas a Proteção Civil apercebeu-se no domingo de que esses cresceram significativamente e chegaram à avenida.

«Houve uma parte do piso que caiu e o resto está oco», explicou o presidente da Câmara.

A autarquia avançou, por isso, com a requisição urgente de pedra, iniciando esta manhã a sua colocação no local, para substituição das defesas frontais aderentes e «para evitar que haja mais derrocadas como a que aconteceu domingo».

Só nessa zona do Furadouro, cerca de uma centena de metros a sul do extremo da Avenida Central, a intervenção deverá custar cerca de 500.000 euros.

«Só aqui vamos gastar cerca de um terço do milhão e meio de euros que estão previstos para as obras de socorro no concelho», afirmou Salvador Malheiro, fazendo notar que essa empreitada se destina a recuperar apenas os estragos mais recentes e não está incluída no pacote de três milhões de euros que o Governo prometeu em janeiro especificamente para Ovar.

«O Ministério anunciou 18 milhões para todo o litoral, sobretudo nas zonas mais afetadas, e esse investimento será concretizado através de uma candidatura a fazer até 17 de março», lembrou, «mas tendo em conta o que se está a passar no Furadouro, e também em Cortegaça, Maceda e Esmoriz, o próprio Governo reconhece que temos de avançar já com estas obras de socorro e é a sul do Furadouro que elas são mais urgentes».

Entretanto, todos os mecanismos locais da Proteção Civil estão ativados para defesa de pessoas e bens.

«A marginal continua interdita e agora é esperar que a maré não seja muito alta, para ver se o mar não deixa aquilo pior do que já está», concluiu Salvador Malheiro.