Garrett McNamara, o havaiano que surfou uma das maiores ondas do mundo (cerca de 30 metros) na Praia do Norte, há pouco mais de um ano, parece ter ajudado definitivamente a pôr a Nazaré no mapa.

O Instituto Hidrográfico da Marinha Portuguesa explica agora no seu «site» o fenómeno das ondas gigantes na Praia do Norte: «A ondulação do largo que chega à zona costeira propaga-se mais rápido sobre o Canhão da Nazaré, onde a água é mais profunda, do que na plataforma continental adjacente, onde a água é relativamente pouco profunda.»

«Os canhões submarinos, como o Canhão da Nazaré, modificam o modo como a ondulação se propaga, permitindo a existência de zonas na proximidade do canhão onde a onda converge e se amplifica. Ao largo da Praia do Norte, este processo parece ser reforçado por correntes costeiras que se opõem às ondas e pela diminuição rápida do fundo», escreve também a Marinha.

«O que parece tornar a Nazaré especial, estamos agora a começar a compreendê-lo, é o facto de a orientação deste canhão e o modo como ele intersecta a linha de costa permitirem que ele modifique as correntes que a própria ondulação cria junto à costa. Isto proporciona um mecanismo adicional para a amplificação da onda, que assim atinge alturas extremas», diz o Instituto Hidrográfico.

Onda de 10m pode chegar aos 20m

Segundo a Marinha Portuguesa, «uma onda ao largo com 10m de altura pode ser amplificada», «atingindo cerca de 20m na área da Praia Norte».

«As condições extremas de agitação marítima ao largo da costa da Nazaré ocorrem durante os períodos de tempestade de Inverno. Desde 2009, o Instituto Hidrográfico tem instalado naquela área um sistema de monitorização em tempo real», sendo que se registaram «períodos em que a ondulação ao largo atingiu alturas máximas de 21-22 metros».

«Certamente que estas ondas, ao chegar à área da Praia Norte, terão sofrido uma amplificação considerável. O que não significa que essas ondas extremas sejam surfáveis», informa igualmente aquele instituto da Marinha.

«O Canhão Submarino da Nazaré estende-se por cerca 170 km, desde profundidades abissais de 5000m até cerca de poucas centenas de metros da Praia da Nazaré, onde a parte terminal do canhão (chamada a cabeceira do canhão) chega a 150m de profundidade», acrescenta ainda o Instituto Hidrográfico.