O homem que foi detido pela polícia em Odivelas por suspeitas de sequestro e prática de atos sexuais não consentidos saiu esta segunda-feira em liberdade depois de presente a primeiro interrogatório judicial, no Tribunal de Loures.

«A PSP deve rever a forma como faz os seus comunicados, sem investigação, sem investigar o cadastro das vítimas e a atividade que ambas exercem. A polícia trabalhou muito mal numa situação simples que não justificava tudo isto. Trata-se de um sequestro original, pois uma das vítimas estava na rua e a outra estava em casa à janela e com um telemóvel», criticou o advogado, Correia de Almeida, à saída do tribunal, acompanhado pelo arguido.

Em comunicado, divulgado no domingo, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP anunciou a detenção de um homem de 48 anos, pelo crime de sequestro e prática de atos sexuais não consentidos. A nota acrescentava que o suspeito, detido no sábado, manteve duas mulheres, uma de 23 anos e outra de 24, fechadas num quarto contra a vontade destas desde janeiro, até que uma das alegadas vítimas conseguiu fugir e alertar as autoridades.

«O meu constituinte sai em liberdade com termo de identidade e residência. Há muitas incoerências no processo e não há indícios da prática do crime, nem no relatório do hospital, nem no relatório do Instituto de Medicina Legal. O Ministério Público e a Polícia Judiciária vão desenvolver uma investigação independente», frisou o advogado.

Correia de Almeida acrescentou que vai apresentar queixa contra as duas supostas vítimas por denúncia caluniosa, além de estar a ponderar interpor uma ação contra o Estado por, segundo o próprio, terem sido excedidas as 48 horas previstas na lei para que um arguido seja presente a um juiz de instrução criminal, a fim de ser ouvido em primeiro interrogatório judicial.

Na casa foram apreendidos 200 gramas de haxixe.

O advogado explicou que o seu constituinte não está indicado por tráfico de droga, uma vez que o haxixe encontrado servia para consumo próprio.