Quatro anos depois do assassinato de Rosalina Ribeiro, Duarte Lima, que é acusado da morte, vai ser interrogado já nesta sexta-feira em Portugal. Na carta rogatória que a justiça brasileira enviou, o Ministério Público de Saquarema e a defesa dirigem 73 perguntas ao antigo deputado.

A TVI antecipa as principais perguntas e algumas das respostas que Duarte Lima deverá apresentar em sua defesa.

Interrogado no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa,Duarte Lima responderá a uma carta rogatória com 73 perguntas, entre as quais lhe é perguntado diretamente se matou: «O senhor matou Rosalina por causa de seis milhões de euros?»

A acusação diz que o ex-deputado matou porque a vítima recusava assinar um documento a ilibá-lo do desvio de dinheiro da herança Feteira. Em 2001, após a morte de Lúcio Thomé, Rosalina, que era secretária e companheira do milionário, depositou mais de cinco milhões de euros na conta de Duarte Lima. Mas a banca suíça só confirmou que o ex-deputado era o destinatário das transferências oito anos depois, em 2009, poucos meses antes do crime de Saquarema.

Olímpia Feteira, a filha do milionário, processava Rosalina por desviar fundos da herança. Diz a acusação brasileira que a vítima era a peça chave para incriminar Duarte Lima por colaborar no desvio de milhões.

Olímpia Feteira presente no inquérito a Duarte Lima

O antigo deputado tem outra versão para contar. Neste documento que enviou ao juiz da segunda vara de Saquarema há precisamente um ano, Duarte Lima justifica os mais de cinco milhões de euros depositados na sua conta. Alega que se tratou do «pagamento antecipado de honorários pelo patrocínio de uma defesa que se previa longa e complicada». Honorários milionários para um advogado que nunca chegou a representar Rosalina Ribeiro na justiça e de quem nem sequer tinha uma procuração.

A verdade é que já em 2013 o Tribunal Superior de Zurique, na Suíça, arquivou outra queixa de Olímpia Feteira contra a vítima e contra o ex-deputado. Motivo? Falta de indícios de desvio de dinheiro. Uma boa notícia para Duarte Lima que sempre garantiu não ter motivos para matar Rosalina.

Multas

Foi preciso quase um ano para a polícia descobrir o Ford Focus prateado que Duarte Lima alugou em Belo Horizonte. O proprietário registou com estranheza o facto de o veículo ter sido entregue lavado e sem o tapete do passageiro.

As sete multas por excesso de velocidade permitiram ainda à polícia reconstituir o percurso do suspeito. Ficou a saber-se, por exemplo, que esteve muito perto do local do crime na véspera do homicídio. Na noite do homicídio, Duarte Lima diz que ofereceu boleia a Rosalina até Maricá e que regressou de imediato ao Rio de Janeiro. Mas as multas nos dois sentidos com uma hora de diferença desmentem esta versão.

O alibi perfeito chegou três anos após o crime. O antigo deputado apresentou duas testemunhas que garante ter conhecido num restaurante de Maricá à mesma hora a que a vítima era abatida em Saquarema. As duas mulheres e o suspeito deixaram o restaurante pelas 22:25, mesmo a tempo de Duarte Lima apanhar a segunda multa no regresso ao Rio de Janeiro. No bolso, o antigo deputado levaria o guardanapo onde as testemunhas deixaram o contacto, um pedaço de papel que, pelos vistos, guardou.

Esta é já a segunda carta rogatória que chega do Brasil, a primeira ficou sem resposta. Mas agora Duarte Lima promete esclarecer todas as dúvidas. A diligência vai decorrer na pequena sala do 5º juízo do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa. Só depois é que o juiz de Saquarema decide se o caso segue para julgamento.