O médico Albino Aroso, responsável pela primeira consulta de planeamento familiar em Portugal, morreu esta quinta-feira no Porto. Albino Aroso tinha 90 anos.

Considerado pela Associação Médica Mundial um dos 65 clínicos «mais dedicados» às causas públicas em todo o mundo, segundo o «Público», o ginecologista nascido em 1923, teve funções políticas. Secretário de Estado da Saúde no VI Governo Provisório, com Sá Carneiro, que permitiu, em 1976, a criação da Lei do Planeamento Familiar.

É, por isso, considerado um dos responsáveis pela queda da mortalidade infantil em Portugal.

O médico do Porto voltaria mais tarde novamente ao Governo, a convite de Leonor Beleza, ministra da Saúde do PSD, para liderar o grupo de trabalho que fechou 150 maternidades em todo o país, como conta o diário.

«O médico português que mais influenciou o desenvolvimento da saúde de todos os portugueses»

O Presidente da República recordou lbino Aroso como «um exemplo notável de médico humanista, que dedicou o seu profundo saber e grande experiência à causa pública» e lembrou o seu contributo decisivo no combate à mortalidade infantil.

«Ao longo da sua vida, Albino Aroso foi um exemplo notável de médico humanista, que dedicou o seu profundo saber e grande experiência à causa pública, tendo papel destacado e pioneiro na instituição do planeamento familiar no nosso país», lê-se numa mensagem de condolências enviada pelo chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, à família de Albino Aroso.

«É o médico que mais contribuiu para a elevação do nível de saúde de Portugal», disse à Lusa o diretor-geral de Saúde, Francisco George, que, em 2006, atribuiu a Albino Aroso o primeiro Prémio Nacional de Saúde.

O Ministério da Saúde considerou que «a medicina portuguesa está de luto» pela morte do médico e professor Albino Aroso.

O Ministério da Saúde considera que Portugal deve a Albino Aroso «um enorme contributo público na obtenção de ganhos de saúde, que levou Portugal a colocar-se entre os cinco países do mundo com mais baixa taxa de mortalidade materno-infantil, à frente de países como a Inglaterra, França e Estados Unidos da América».

Em 1989, como secretário de Estado da Saúde e como responsável pela Comissão Nacional de Saúde Materna e Neonatal, «Albino Aroso estabeleceu as bases que permitiram atingir esta notável posição».

«Albino Aroso assumiu a nível nacional a liderança de opinião a favor do desenvolvimento do planeamento familiar, por estar consciente de que só por essa via Portugal poderia aspirar a uma efetiva política de saúde familiar integrada e integradora», lê-se no Portal da Saúde.

Também a ex-presidente da Associação para o Planeamento da Família reagiu à morte do «pai» do planeamento familiar. Maria José Alves lamentou a morte do médico ginecologista Albino Aroso, considerando que foi um dos pilares da saúde em Portugal e que merece «uma grande homenagem», como cita a Lusa.