O ministro da Saúde, Paulo Macedo, criticou esta segunda-feira a «sistemática pressão» sobre o Estado para a introdução de novos medicamentos, afirmando que só este ano vão ser gastos cerca de «90 milhões de euros em medicamentos inovadores».

Escusando-se a comentar as recentes declarações do bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, sobre dificuldades de acesso a medicamentos inovadores, em especial para a hepatite C, Paulo Macedo reafirmou que, «para chegar a um acordo», é preciso existir um entendimento entre o Estado e a indústria farmacêutica.

«A questão que vejo sempre ser referida é sempre do lado do Estado, designadamente tanto mais grave quanto estamos em negociações [com a indústria farmacêutica]», disse, acrescentando que «isto é sistematicamente uma pressão sobre o lado do Estado, para o Estado introduzir a qualquer preço e sem discutir [um medicamento inovador], que é o que o Estado faz ao longo dos anos».

Referindo que o que está em causa nesta questão é a discussão relativa à «margem de lucro que quer [a indústria] e o que o Estado pode pagar», Paulo Macedo afirmou que as questões devem também ser colocadas às farmacêuticas.

«Sobre os medicamentos, gostava que, uma vez que fosse, a imprensa e os media perguntassem à indústria se de facto aqui as suas margens também não deviam ser adequadas à situação do país», frisou.

Falando aos jornalistas, no Porto, à margem da cerimónia de atribuição da Comenda da Ordem de Mérito a António Ferreira, administrador do Centro Hospitalar de S. João, o ministro contou que «só este ano foram introduzidos 70 medicamentos inovadores».

«Vamos gastar cerca de 90 milhões de euros em medicamentos inovadores», anunciou, acrescentando que os doentes para os quais o medicamento ainda não esteja introduzido no mercado «são tratados através de autorizações especiais».

Paulo Macedo reafirmou que o negócio da indústria farmacêutica é de «3,7 biliões de euros e, quando se discute se um medicamento é introduzido ou não, há que ver as vantagens terapêuticas e qual a pressão sobre o negócio».

Em entrevista ao jornal i, publicada hoje, o bastonário da Ordem dos Médicos diz haver doentes com hepatite C «a serem condenados à morte» por ainda não ter sido autorizada a comparticipação de novos medicamentos para combater a doença.