O ministro da Saúde, Paulo Macedo, confirmou esta quarta-feira que houve instauração de processos disciplinares envolvendo a parte cirúrgica, no caso de um doente que morreu no Hospital das Caldas da Rainha, após uma operação.

Falando aos jornalistas no final da Comissão Parlamentar de Saúde, Paulo Macedo disse que esta informação constava das conclusões preliminares do relatório da Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

O ministro salientou «outro aspeto» que considerou importante considerar: «Esta intervenção era programada, o que faz toda a diferença em termos da unidade que escolhemos».

No Hospital das Caldas da Rainha, onde o doente foi operado, não existe unidade de cuidados intensivos, o que justificou a sua transferência para o Hospital de Abrantes, onde acabou por falecer.

O caso está relacionado com a assistência médica prestada ao utente João Brochado e que a investigação aponta para «negligência», «desprezo nas horas subsequentes à operação» e «atraso no diagnóstico do doente», segundo noticia esta quarta-feira o «Correio da Manhã».

O episódio remonta a 24 de fevereiro, data em que o doente faleceu no hospital de Abrantes, para onde foi transferido depois de ter sido operado à vesícula no Hospital das Caldas da Rainha.

Num comunicado emitido a 27 de fevereiro o CHO anunciou a abertura de um inquérito ao caso do doente operado no dia 12 de fevereiro, nas Caldas da Rainha, e transferido para Abrantes dois dias depois, «dado o agravamento do estado clínico no pós-operatório» que motivou a decisão da «sua transferência para uma Unidade de Cuidados Intensivos».

No mesmo comunicado, o CHO esclareceu que a vaga [em Abrantes] foi encontrada «cerca de 30 minutos depois» de terem sido iniciados os contactos com os hospitais de Santa Maria, de Loures e de Leiria, que recusaram o doente por falta de camas nessas unidades.

No hospital de Abrantes João Brochado esteve semana e meia internado e foi operado mais duas vezes, acabando por morrer, alegadamente de uma infeção generalizada.