O Governo está a analisar a exclusividade dos médicos no Serviço Nacional de Saúde e promete dar «alguns passos» nesse sentido em 2014.

«Achamos que esse modelo tem virtualidades, mas tem também algumas desvantagens. Vamos dar alguns passos em 2014», disse o ministro da Saúde, Paulo Macedo.

O governante explicou que a medida não pode ser aplicada mais rapidamente por causa dos efeitos negativos que poderia causar.

«Não faremos de maneira nenhuma uma situação de big bang, que causaria uma rutura em termos quer das pessoas mais qualificadas, quer de diretores serviço, quer das dificuldades que existem. Estando nós numa situação de escassez, estar a fazer uma medida dessas, o que aconteceria seria piorar essa situação», acrescentou.

O ministro da Saúde defendeu ainda que é pretensão do Governo ter os cuidados de saúde próximos das populações, embora admita que o país continua a ter uma clara falta de médicos ao nível da medicina geral e familiar.

«Queremos cuidados de saúde próximos das populações, mas não de uma forma estática. É preciso que haja infraestruturas de proximidade, mas com qualidade», sustentou, citado pela Lusa.

No final da inauguração do novo Centro de saúde de S. Pedro do Sul, que decorreu ao final da manhã, Paulo Macedo sublinhou que não é possível ter um centro de saúde à porta de cada pessoa, no entanto, quando há uma infraestrutura com uma mais valia, esta deve estar próxima dos utentes.

«A crise condiciona claramente as infraestruturas que podem ser colocadas à disposição das pessoas, por isso algumas têm de ser abertas quando há condições para as manterem», apontou.

Apesar de ser uma pretensão do Governo ter os cuidados de saúde próximos das populações, o ministro da Saúde admitiu que continuam a ter uma clara falta de médicos de medicina geral e familiar.

«A somar a isso tivemos um conjunto de reformas significativas», acrescentou, dando como exemplo a seguir o caso do concelho de S. Pedro do Sul, onde há médicos de família em número suficiente para servir a população.

«Precisamos que isto aconteça no resto do país, o que não é uma realidade», avançou.

Paulo Macedo referiu que as associações regionais de saúde vêm desenvolvendo um trabalho no sentido de abrirem vagas novas para médicos, para além de estarem a ser reorganizadas as listas de utentes.

«Muitas das vezes trabalhávamos com registos de utentes em que vários já tinham falecido ou alguns já tinham voltado aos seus países. Queremos que os médicos estejam onde são precisos», destacou.

Para o representante do Governo, é essencial que os médicos de medicina geral estejam perto das populações, o que não acontecerá noutras especialidades, que deverão estar concentradas em hospitais centrais.