O Ministério Público anunciou hoje a reabertura do inquérito sobre o desaparecimento da criança inglesa Madeleine McCann, depois de a Polícia Judiciária ter apresentado novos elementos.

Pais de Maddie «muito satisfeitos» com reabertura do inquérito

Governo britânico e Scotland Yard aplaudem decisão

Uma nota da Procuradoria Geral da República (PGR) adianta que o MP determinou a reabertura do inquérito relativo ao desaparecimento da menor Madeleine McCann, segundo a lei processual penal que diz que «o inquérito só pode ser reaberto se surgirem novos elementos de prova que invalidem os fundamentos invocados pelo MP no despacho de arquivamento» do caso.

A PGR esclarece ainda que a reabertura do inquérito surge na sequência de proposta da PJ e atendendo à «apresentação de novos elementos indiciários que justificam o prosseguimento da investigação».

Não são revelados quais os novos elementos de prova fornecidos pela PJ ao MP, limitando-se a PGR a dizer que no inquérito, a decorrer em Portimão, «foi requerido ao competente Juiz de Instrução Criminal o adiamento do acesso aos autos por prazo objectivamente indispensável à conclusão da investigação, por se entender que se impõe o regime de segredo de justiça».

A PGR anunciou a 21 de Julho de 2008 que o MP arquivou o inquérito relativo ao desaparecimento de Madeleine McCann e levantar a condição de arguido aos pais da menor inglesa e a Robert Murat (britânico que residia no Algarve), ressalvando que podia reabrir o processo caso surgissem «novos elementos de prova», o que agora ocorreu.

A 4 de Outubro, responsáveis da Scotland Yard divulgaram em Londres que a PJ já havia formado uma nova equipa para trabalhar nas linhas de investigação identificadas pela polícia britânica sobre o desaparecimento da criança.

Na altura, soube-se que um grupo de seis agentes da delegação de Faro foi formado para assistir a unidade britânica responsável pela «Operação Grange» da Polícia Metropolitana, que está a rever todas as pistas relacionadas com o caso após a intervenção do primeiro-ministro britânico, David Cameron.

Maddie desapareceu poucos dias antes de fazer quatro anos, a 3 de maio de 2007, do quarto onde dormia juntamente com os dois irmãos gémeos, num apartamento de um aldeamento turístico no Algarve, enquanto os pais jantavam com um grupo de amigos num restaurante próximo.

Portugal foi um dos 31 países a cujas respetivas autoridades foi enviada uma carta rogatória com um pedido de assistência relativo a elementos que a polícia britânica deseja ver esclarecidos, relacionados com pessoas ou dados telefónicos.

O detetive inspetor-chefe Andy Redwood adiantou então que a polícia britânica está a tentar descobrir os proprietários dos telemóveis identificados como tendo estado na zona e altura do desaparecimento.

Em junho, a polícia britânica anunciou a existência de «38 pessoas de interesse» que desejava questionar, entre os quais vários portugueses.

«São pessoas que se encontravam num raio do local do desaparecimento e de quem há razões para desconfiar. É preciso um pouco mais do que questões circunstanciais», explicou Redwood.

Aos 12 britânicos inicialmente identificados juntaram-se entretanto mais três, que estão já a ser investigados, mas que o inspetor acredita que «possivelmente serão eliminados» em breve da lista.

A Scotland Yard, a trabalhar no caso há um ano, está confiante de ter encontrado «nova informação» relevante, com base nos 40 mil documentos e pistas recolhidos pelas polícias de Portugal, Reino Unido e por oito empresas diferentes de detetives privados.