O ministro da Saúde revelou esta quinta-feira que optou por não atingir todas as metas da troika para o setor para impedir uma ainda maior redução da despesa, nomeadamente dos hospitais com dívidas.

Paulo Macedo falava na abertura da terceira Conferência TSF/Abbvie sobre a sustentabilidade na saúde, que decorre em Lisboa.

Na intervenção, o ministro voltou a recusar a ideia de que o Governo português foi além da troika e alegou que a maior prova disso são alguns hospitais não terem as dívidas vencidas a zero.

Para cumprir as metas da troika nesta área, disse Paulo Macedo, o Governo teria de «ajustar o orçamento dos hospitais e «admitindo que não aumentaria os impostos nem obter maior endividamento - reduzir a despesa».

Segundo o ministro, o executivo falhou igualmente a meta dos valores obtidos através do aumento do valor das taxas moderadoras, que ficou aquém dos objetivos.

Paulo Macedo garantiu que o seu Ministério não fez «cortes cegos», enaltecendo a virtuosidade de outros cortes: nas fraudes, no desperdício e nas rendas excessivas.

Na conferência foi apresentado um estudo pioneiro, realizado pelo ISEGI e que analisou a despesa e o investimento, o qual concluiu que, com a atual estrutura de financiamento, por cada euro investido em saúde, deverá existir um retorno imediato de 46 cêntimos no Produto Interno Bruto (PIB).

Outra conclusão do estudo indica que «a redução do absentismo é um dos efeitos do investimento em saúde, funcionando como um mecanismo de transmissão para a economia». Para os autores, «a despesa com saúde deve ser encarada como um investimento e não apenas como um custo».