O Ministério da Educação declarou hoje, em comunicado, estar «aberto ao diálogo», mas indisponível para «ceder a pressões ilegítimas para realização imediata de reuniões», depois de dezenas de professores desempregados se terem concentrado no ministério para exigir uma audiência.

Cerca de 40 professores desempregados entraram esta tarde nas instalações do Ministério da Educação e Ciência (MEC), em Lisboa, exigindo ser recebidos pelo ministro Nuno Crato, que se encontra em Istambul, na Turquia, a participar numa reunião de ministros da Educação da OCDE.

Durante a tarde um grupo de alunos do ensino superior juntou-se à concentração de professores desempregados para manifestar solidariedade aos docentes.

Ao final da tarde, o MEC, reagiu, em comunicado, à ocupação das instalações, para reiterar que «está, tal como sempre esteve, aberto ao diálogo com os movimentos da sociedade civil, nomeadamente através dos órgãos representativos legalmente instituídos».

«Não pode, contudo, ceder a pressões ilegítimas para realização imediata de reuniões», concluiu o documento.

Os professores, que inicialmente exigiam ser recebidos pelo ministro da Educação, Nuno Crato, exigiram depois ser recebidos pelo secretário de Estado da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, uma vez que o ministro se encontra na Turquia.

Acabaram por ser recebidos, ao fim de quatro horas de espera no átrio das instalações da Av. 05 de Outubro, em Lisboa, pelo secretário-geral do MEC.

«Fizemos um pedido de audiência ao ministro Nuno Crato com quatro pontos: desemprego, elevado número de alunos por turma, processo de oferta de escola e exame da prova de acesso», disse aos jornalistas um dos professores desempregados Miguel Reis, à saída desse encontro.

O professor adiantou que apenas foi feito o pedido de reunião, não tendo recebido garantias da data de audiência com o ministro.

Em comunicado, o MEC refere que o secretário-geral do ministério se dispôs «a receber os manifestantes para poder transmitir as questões ao Sr. Ministro, mas a proposta foi recusada».

«Num segundo momento, o Sr. Secretário-Geral solicitou-lhes que fizessem o pedido de audiência por escrito e que apresentassem uma agenda. Os pedidos de audiência devem ser feitos através dos canais apropriados», acrescenta o documento do MEC.

Os cerca de 40 professores desempregados que hoje estiveram no ministério, e que decidiram permanecer no interior do MEC até às 20:00, decidindo depois novas formas de luta, estiveram concertados desde as 15:20, exigindo ser recebido pela tutela para protestarem contra a situação atual da escola pública, tendo em conta que há ainda estabelecimentos de ensino com falta de docentes e turmas demasiado longas, continuando milhares de professores no desemprego.

O motivo da reunião com a tutela está relacionado «com o processo burocrático de colocação de professores nas escolas», explicou Ilídia Pinheiro, dirigente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), afeto à Fenprof.

O protesto foi uma iniciativa dos professores desempregados, mas conta com o apoio do SPGL, facto que o comunicado do MEC sublinha, assim como a associação deste sindicato à Federação Nacional de Professores (Fenprof), que esta tarde esteve reunida com o secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, tendo deixado as instalações do ministério minutos antes da entrada dos manifestantes.