Uma menina de quatro anos morreu após uma operação de rotina no hospital de Penafiel. A morte foi declarada no São João do Porto, para onde foi transferida devido a complicações, noticia o JN nesta quinta-feira.

Segundo o mesmo diário, o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa já instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte e a família aguarda os resultados da autópsia.

Rafaela tinha um problema de apneia do sono, que a levava, de vez em quando, a parar de respirar enquanto dormia. Foi agendada uma operação, considerada simples, no hospital de Penafiel.

«Havia lá 17 crianças para o mesmo. A Rafaela foi a primeira a entrar no bloco. Saiu às 9 horas. Quando acordou estava bem», contou ao JN a mãe, Fernanda Nunes.

Mas, pouco depois, Rafaela começou a vomitar. E dali a outra meia hora, novamente. Ninguém no hospital se alarmou, por ser um efeito frequente nas crianças anestesiadas.

«Aguentou mais uma hora até vomitar outra vez. Mas a enfermeira voltou a dizer-me que era normal. Nessa altura ela tinha umas gotas de sangue que lhe saíram da orelha. Voltou a vomitar duas vezes. Deram-lhe a medicação através do soro, mas nunca um médico veio ver o que se passava, apesar de vários alertas. Apenas deram instruções por telefone à enfermeira», descreveu.

Às 16:30, os pais foram informados que a menina iria passar a noite no hospital, mas que deveria ter alta na manhã seguinte.

No entanto, Rafaela não melhorou e só às 18 horas os médicos vieram vê-la. Fizeram uma TAC e disseram que não tinham detetado nada no exame.

Mas foi mudada para outra sala, onde a mãe não pôde entrar e não esperava a notícia que se seguiria: «Chegou um médico do INEM do São João a dizer que iam estabilizar a minha filha para a transferir para o Porto, porque corria perigo de vida.»

A morte cerebral foi anunciada no dia seguinte e confirmada nesta segunda-feira. Hoje realiza-se o funeral, em Nevogilde, Lousada. Os pais vão processar o hospital de Penafiel por negligência.