Notícia atualizada

O grupo de estudantes que morreu afogado na madrugada de 15 de dezembro, na praia do Meco, terá sido visto por moradores de Aiana de Cima a rastejar com pedras atadas nos pés. Quando consideraram os exercícios demasiado «puxados», houve moradores que interpelaram o grupo, alertando que se tratava de «humilhação». Em resposta, receberam: «Isto é uma praxe. Uma experiência de vida. Não se meta».

Uma das moradoras que conta esta versão em declarações ao «Diário de Notícias» (DN), Cidália Almeida, diz que resolveu agora contar o que tinha visto num terreno baldio, a 300 metros da casa alugada pelo grupo, porque «talvez este dado ajude as famílias a perceber onde os filhos estavam».

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Cidália Almeida conta que estava a arranjar o quintal quando viu a cena e foi alertada para a presença de um jovem trajado que caminhava em direção ao tal terreno, com uma colher de pau gigante na mão. Cidália está convencida que o jovem era João Gouveia: «tenho a cara dele gravada na memória».

A mulher conta que os exercícios foram ficando mais «puxados» e que, a certa altura, «um vizinho foi lá ter com eles». «Disse que também tinha sido estudante e sugeriu-lhes que se divertissem de outra maneira. Mas não gostaram e deram a tal resposta», conta.

Batismo no mar?

A versão relatada esta sexta-feira pelo DN é semelhante àquela que conta o «Correio da Manhã» (CM), que cita Etelvina Fonseca, a mulher responsável pela limpeza da vivenda. Etelvina conta que as raparigas já iam com as «meias rasgadas e as capas cortadas». Testemunhas dizem que o grupo teve de rastejar com as pedras atadas aos pés cerca de 80 metros.

Etelvina diz que abordou o grupo e uma das raparigas lhe respondeu: «isto é uma praxe». «Ao que eu respondi isso não é uma praxe, isso é uma humilhação. E ela disse-me: ¿são experiências de vida¿», conta ao CM.

Esta quinta-feira, a RTP emitiu uma reportagem com depoimentos de estudantes sob anonimato, que aventaram a hipótese de o incidente no Meco se ter ficado a dever a um batismo. De acordo com esta teoria, os seis jovens que morreram estariam de costas para as ondas a responder a questões colocadas por João Gouveia. A cada resposta errada, recuariam um passo. Até que uma onda mais forte os arrastou. João Gouveia terá escapado por estar de frente para o mar, mais afastado da zona de rebentação.