A TVI fez uma reconstituição do ritual de praxe que terá ocorrido na noite de 15 de dezembro, na praia do Meco. Segundo os dados apurados, o ritual da praxe da Universidade Lusófona inspira-se na «Hora do Diabo», de Fernando Pessoa, e simboliza o levar da ignorância para o mar.

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O ritual serve de adoração a «Mefisto», através do dux, que simboliza o poder superior e a obediência cega.

Tem de ser feito numa noite de lua cheia, sempre depois de uma sexta-feira 13. Só os membros da Comissão Oficial da Praxe Académica (COPA) é que podem participar, sejam veteranos ou doutores, e é uma prova para continuarem como representantes do curso.

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Os praxados vão para a praia, simbolizando o caminho da serpente, e ficam vendados, em linha, de costas para o mar. Também podem estar com os pés amarrados. O dux grita: «Essas chamas lançam não luz, mas...». E eles respondem: «Sim, treva visível».

As chamas são as ondas do mar à luz da Lua, a treva visível é a ignorância dos praxados. O ritual representa a passagem das trevas para a luz e a a ignorância deles tem de ser levada pelo mar.

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O dux preside ao ritual, recuado, de frente para o mar. Começa então a fazer perguntas e, a cada resposta errada, têm de dar um passo atrás.

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As perguntas são relacionadas com «A Hora do Diabo», de Pessoa, um poema em busca do autoconhecimento que implica um processo ritualístico necessário para se alcançar a purificação.

Segue-se o coice negro, dado por opção. Os praxados pensam que estão sozinhos com o dux e não se apercebem que há mais gente na praia. Quando o dux faz perguntas, ouvem vozes desconhecidas para os confundir.

O dux insiste que não está ali mais ninguém e os membros acabam por ir-se embora sem nunca terem sido vistos.

Esta é a segunda fase do ritual, que se baseia no medo e na necessidade de acreditarem no seu superior.

O dux comunica então que os vai deixar e pede para tirarem as vendas e as amarras, se for o caso. A partir daqui, os praxados podem ir embora sabendo que passaram no teste e podem subir na hierarquia.

A TVI sabe que os dux da Lusófona já tinham feito este ritual e tinha corrido sempre bem, até à fatídica noite de 15 de dezembro.