Mais de dois meses e meio depois da tragédia do Meco há uma nova testemunha que nunca foi ouvida pela Polícia Judiciária. A TVI identificou e entrevistou uma testemunha que garante ter visto, no dia da tragédia, pelo menos nove pessoas na casa alugada de Aiana de Cima. Um deles, um jovem de barba, terá sido identificado através de fotografias mostradas pela TVI. Trata-se de um «Honoris Dux», a mesma pessoa que terá também entregado a algumas das famílias os pertences das vítimas.

Mais três pessoas, para além das vítimas e do único sobrevivente, estiveram na casa alugada de Aiana de Cima, na tarde de sábado, dia da tragédia. Samuel Garcia, a nova testemunha identificada pela TVI, garante que pelas 15:30 viu pelo menos nove pessoas trajadas: sete numa atividade de praxe, mais dois homens a saírem da casa, um dos quais com uma colher de pau na mão, um dos símbolos do poder do COPA.

«No sábado, às três e mais da tarde, estavam mais dois rapazes na casa [para além de Tiago, Pedro Negrão e do «Dux» João Gouveia]. Esses rapazes não estavam a participar na atividade: um saiu em sentido Norte, outro saiu em sentido Sul», afirmou.

Samuel Garcia identificou um «Honoris Dux» numa fotografia mostrada pela TVI. A fotografia nunca foi mostrada publicamente e a pessoa identificada nunca deu a cara desde o início da tragédia. A testemunha não fazia a mínima ideia de quem estava a identificar.

Novos documentos a que a TVI teve acesso juntam-se a outras provas já mostradas que indicam que eram esperadas mais pessoas, pelo menos 10, no fim-de-semana do Meco.

De acordo com esses documentos, foi Carina Sanchez quem tratou do aluguer da casa. No dia 6 de dezembro, a jovem enviou um email ao proprietário de um imóvel em Sesimbra. Pretendia aluga-lo para o fim-de-semana de 13, 14 e 15 de dezembro e «mais ou menos para 10 pessoas entre os 21 e os 28 anos».

Ou seja: algumas das pessoas esperadas tinham idades superiores às das vítimas. A casa acabou entretanto por não ser alugada por falta de vaga e foi quando se iniciaram contactos para a vivenda do Meco. E foi aí que a testemunha ouvida pela TVI conseguiu identificar vários carros parados à porta da casa, na madrugada de sábado pelas 05:30. Dois desses carros só saíram da porta da casa na terça-feira seguinte, refere Samuel Garcia.

Um carro diferente foi visto entretanto por volta das 05:00 de domingo, ou seja, já depois da tragédia do Meco. «Já não estavam dois carros à minha porta, mas sim quatro carros. Vejo uma pessoa vestida de escuro a pôr-se dentro de um carro, um Citroen DS3», acrescenta Samuel Garcia.

São revelações cruciais de uma testemunha que ainda não foi ouvida pela PJ e que poderá ajudar a perceber o que aconteceu naquela noite trágica do Meco.