A testemunha que viu o corpo de um estudante com os tornozelos amarrados «está disposta a falar e a colaborar com a justiça», afirmou esta segunda-feira a mãe de Pedro Tito Negrão, um dos seis universitários da Lusófona que morreu na praia do Meco, a 15 de dezembro.

Meco: corpo terá sido encontrado com tornozelos amarrados

«Não vi as fotos, pelo que não me posso pronunciar, como é óbvio. Por isso, apelamos a quem tenha essa informação que a transmita a quem de direito para que as imagens possam ser analisadas», disse Fátima Negrão, à saída do tribunal, onde as famílias das vítimas formalizaram o pedido para se constituírem assistentes no processo.

«Foi antes do fim de semana [que receberam a denúncia», através de um email», acrescentou a mãe do aluno, que deu conta de «mais de 300 mensagens» recebidas com informações relevantes, a maioria com os autores «identificados e com contactos telefónicos».

«Estamos a receber centenas de mensagens, do mais variado teor e que são muito importantes. Vão ser todas analisadas, respondidas e grande parte vai fazer parte do processo», adiantou a familiar, reforçando o pedido de ajuda: «Pedimos a todos os colegas que nos ajudem. Não estamos a culpar ninguém, apelamos mais uma vez ao João [Miguel Gouveia] e aos restantes colegas que se juntem a nós e que nos façam entender, de uma vez por todas, o que aconteceu.»

Fernanda Cristóvão, mãe de Carina Soares, outra das vítimas, acrescentou, ainda, que não tem dúvidas de que o que aconteceu no Meco foi praxe, uma vez que «desde o primeiro minuto» que a filha lhe disse «que ia para uma reunião de atividades de praxes para 2014».

Os familiares querem também mais explicações sobre os dois encontros que o sobrevivente João Miguel Gouveia teve na Universidade Lusófona, o primeiro, e ao que tudo indica, logo «no dia 16 de dezembro», a seguir à tragédia, considerado «uma reunião de emergência», e um segundo «recentemente».

«Não entendemos por que ainda não falou connosco, daí continuarmos a insistir e a dizer que vamos até onde pudermos e que não vamos desistir», concluiu Fátima Negrão, que também confirmou que até ao momento as famílias não foram contactadas pela Lusófona.

Já Vítor Parente Ribeiro, advogado das famílias das vítimas, disse que a constituição destes como assistentes é o «primeiro passo» no sentido da descoberta da verdade, observando que não há qualquer desconfiança quanto às linhas de investigação que o Ministério Público e a PJ estejam ou venham a adoptar no inquérito à morte dos seis jovens.

O advogado pediu que a investigação seja «célere», dizendo acreditar que o Ministério Público e a Polícia Judiciária não precisem do prazo máximo previsto na lei para os inquéritos para chegar a uma conclusão sobre a ocorrência.

Vítor Parente Ribeiro desconhece se o processo está, ou não, em segredo de justiça, notando que a vantagem de os familiares se constituírem assistentes é a de terem acesso aos despachos e poderem pedir a realização de certas diligências que podem ser importantes para o apuramento da verdade.

As seis vítimas que morreram na praia do Meco (quatro raparigas e dois rapazes) faziam parte de um grupo de sete estudantes universitários que tinham alugado uma casa na zona, para passar o fim de semana.

Segundo as autoridades, uma onda arrastou-os na madrugada de 15 de dezembro, mas um dos universitários conseguiu sobreviver e dar o alerta. Os corpos dos restantes foram encontrados nos dias que se seguiram.