O namorado de uma das vítimas da tragédia no Meco, Carina Sanchez, assegura que os bens pessoais dela lhe foram entregues por um ex-dux da Universidade Lusófona logo no dia seguinte e que terá sido João Gouveia, o único sobrevivente, juntamente com familiares, a retirá-los do interior da casa que o grupo tinha alugado naquele fim de semana.

«Logo no domingo, os pais perguntaram pelos pertences e a polícia disse que tinham sido arrumados e separados pelo João e pelo cunhado dele», contou à TVI Mário Rui, namorado de Carina Sanchez, que recebeu os objetos da sua namorada das mãos de Rui Osório, ex-dux da Lusófona, enquanto se encontrava ainda na praia, durante as buscas.

«No caso das outras vítimas, os pertences foram para a Lusófona. A casa não foi vedada e alguém limpou a casa, as coisas estavam arrumadas. Os pertences foram arrumados pelo João e levados por um familiar dele até à universidade», continuou.

Mário Rui suspeita que alguém mexeu no telemóvel da namorada, porque a última SMS que lhe enviou não estava na caixa de mensagens nem nunca apareceu. «Supostamente, o telemóvel estaria desligado, mas a mensagem acaba por cair no telefone quando é ligado. Qual é o meu espanto quando liguei e a mensagem não estava lá. É estranho».

A 15 de janeiro, um mês depois da tragédia, o jovem enviou uma SMS ao sobrevivente à procura de respostas e João Gouveia respondeu.

«Ele contou-me aquela primeira versão: que estariam sentados à beira-mar e que uma onda os surpreendeu. Pela minha maneira de entender a situação, a Carina estaria numa das pontas, daí ter sido a pessoa que ele tentou salvar. Tentou puxá-la para terra. Ele não sabe dizer quanto tempo se passou, mas perdeu-os de vista. Só quando saiu da água é que viu que estava sozinho», relatou.

Para o namorado, Carina «não seria inconsciente ao ponto» de se sentar tão próxima da rebentação. «Eles estavam ali porque queriam, ninguém os obrigou a nada, mas também pode não se ter apercebido da situação... Mas faz-me confusão estarem sentados perto da rebentação».

Quanto ao fim de semana de praxe, Mário Rui garante que a namorada «não sabia do tipo de atividades» que iam fazer. «Os representantes [da COPA] tratam da comida e de tudo o que é preciso, mas o planeamento é do dux e, neste caso, possivelmente dos honoris [dux]. Os doutores e veteranos sabem para onde vão, mas não sabem exatamente o que os espera», revelou.

Na noite da tragédia, às 20:22, Carina Sanchez enviou a última SMS para outra pessoa, na qual avisa: «Vou ficar sem telemóvel». A esta hora, a vítima já saberia que não ia poder ficar contactável.

O desconforto de alguns representantes com o recém-eleito dux é notório numa das mensagens escritas às quais a TVI teve acesso. Dias antes do fim de semana no Meco, a 6 de dezembro, Carina enviou uma SMS para «Sniper» (nome de código): «Estou cansada do dux¿ Quando sair disto vou para o psicólogo».

O fim de semana onde morreram seis estudantes seria o último de Carina como representante da COPA. «Pedi-lhe para que terminasse esse ciclo. Ela pediu só este fim de semana porque era o que ela queria, queria despedir-se, longe de imaginar...»