O jovem sobrevivente da tragédia do Mecotem vindo a alegar «amnésia seletiva». João Gouveia, líder da Comissão de Praxes da Universidade Lusófona, tem estado fechado em casa, faltou à época de exames e, na maioria das vezes, é a irmã que lhe atende o telemóvel. Está a ser seguido por um psicólogo, que diz que o jovem não tem condições para ser ouvido pelas autoridades.

De acordo com o «Diário de Notícias» (DN), João Gouveia está a ser seguido por um psicólogo da Lusófona há cerca de 15 dias. As consultas têm sido geridas consoante as necessidades. Será, diz o DN, este psicólogo a decidir quando o sobrevivente tem ou não condições para ser ouvido pelas autoridades.

O «Jornal de Notícias» (JN) acrescenta que João Gouveia deve ser ouvido esta terça-feira pela Polícia Marítima de Setúbal. Já na semana passada se fez uma primeira tentativa para o ouvir, mas o agente responsável ter-se-á visto obrigado a adiar a audição por causa do débil estado psicológico do rapaz.

«Ele viveu uma situação traumática que pode conduzir, de facto, à amnésia seletiva. Neste momento, nem era conveniente que falasse, porque iria reviver os acontecimentos», diz o psicólogo Carlos Poiares, que também é docente na Lusófona. O psicólogo garante que se o jovem «alegou amnésia seletiva , foi porque o colega que o segue diagnosticou isso» e que João Gouveia «não está a fugir de ninguém».

Praxes de risco não seriam novidade

Em declarações ao DN, Carlos Poiares defende que o jovem «só terá condições de falar dentro de algumas semanas». Mas os familiares das vítimas reclamam explicaçõessobre o que aconteceu a 15 de Dezembro e o mistério adensa-se com novos pormenores.

Um vizinho da moradia alugada pelos jovens em Aiana de Cima, a oito quilómetros da praia do Meco ( distância que os sete percorreram a pé, trajados e sem telemóveis), diz que o grupo era constituído por «mais de sete» pessoas. «No sábado à tarde, quando cheguei a casa, estavam cá fora uns quatro ou cinco a fazer exercícios e um outro a dar ordens», conta o vizinho, em declarações ao JN.

O mesmo jornal revela que as praxes com práticas de risco não seriam novidade para este grupo de finalistas. Familiares das vítimas recordam, por exemplo, o episódio em que foram largados em plena serra da Arrábida, de noite e sem telemóvel.

Estado dos corpos inviabiliza exames toxicológicos

À medida que o tempo passa e novos pormenores são revelados, cresce o mistério. As famílias das vítimas ponderam reunir-se no próximo sábado para articularem posições sobre o processo do qual se constituíram assistentes. A Procuradoria-Geral da República sublinha que «não existem, por enquanto, quaisquer elementos que indiciem a prática de crime».

Para já, esperam-se os resultados dos exames toxicológicos ao corpo de Tiago André Campos, o primeiro a ser recuperado ao mar, horas depois da tragédia. De acordo com o jornal «Público», que cita fonte do Instituto de Medicina Legal, estes exames não foram possíveis nos corpos das outras vítimas, dado o seu elevado estado de decomposição.

Não foi, por isso, possível recolher amostras para despistagem de álcool ou drogas. Esses exames poderiam trazer alguma luz ao que aconteceu naquela noite.