Documentos a que a TVI teve acesso mostram que, logo após a eleição de João Gouveia como novo dux, dois meses antes da tragédia, seguem-se tempos de maior dureza nas praxes da Universidade Lusófona.

Um relatório a que a TVI teve acesso, escrito pelo «doutor Cobra Cuspideira», não faz mudar João Gouveia de um caminho de dureza, rigor e sanções.

«Os trajados são cada vez menos, há pessoas que aparecem cá uma ou duas vezes por mês. Quando é marcada uma atividade em que apenas se intitula para doutores ou pastranos, ficam todos acagaçados e ninguém aparece. Acho que seria necessário haver atividades onde não se aplicassem praxes e se se aplicassem fossem no espírito de brincadeira», pode ler-se.

O jovem espera uma reflexão sobre a dureza das praxes. «Faz falta convivermos todos, irmos jantar a algum lado, seria uma coisa divertida. Ou então, qualquer dia, com muita pena minha, eu saio».

Também Pedro Negrão, uma das vítimas, com o nome de código «Survivor», fala da dureza das praxes. «Afirmo que é mais duro do que pensava, mas.. a praxe é dura, mas é praxe».

João Gouveia insiste, no entanto, em tempos de mudança: «Dux diz que temos de começar de novo. Havendo agora um novo dux, teremos todos que melhorar os erros do passado».

A 16 de outubro, numa reunião do Maximum Praxis Concilium (MPC), começam a ser conhecidas as novas regras. «Dux diz que na altura em que ele era pastrano o convívio em grande escala foi apenas um extra após ter passado por muito. Diz que, no ano passado, poucos cursos puseram à prova os seus pastranos», diz a ata.

«O excelentíssimo dux começa por referir que qualquer decisão tomada em MPC terá que ser afixada no máximo de 48 horas. Se MPC faltar à sua responsabilidade, terá uma sanção grave», continua.

Pedro Negrão, representante do curso de Gestão, responde ao novo dux com um calendário apertado de atividades, tentando captar os estudantes para a praxe. «Fomos buscar as bestas à sala de aula para comparecerem na praxe (foi bem sucedida)».

Numa reunião do MPC a 5 de novembro, os resultados exigidos começam a surgir. «A representante de Design informa que realizou uma atividade em que estiveram presentes 7 bestas e 3 pastranos e que os levou quase ao limite».

A mesma representante sugere um fim de semana de MPC para «trabalhar os pastranos», com o objetivo de «saber levar todos ao limite».

Outra das vítimas, Andreia Revez, escreve: «O curso apresenta-se numa fase positiva, onde todos partilham vontade de transmitir uma imagem mais forte do próprio curso - de dentro para fora - após os problemas sucedidos».

O dux vai aplicando sanções a quem falha. «Foi descoberto que uma doutora deu confiança a uma besta, perguntando-lhe se ela queria apontamentos. Devido a esta confiança, ser-lhe-á aplicada uma sanção».

Uma ata de 25 de novembro acrescenta: «BIOTEC volta a informar que um elemento da sua comissão de praxe foi visto aos beijos, em frente à sala de microondas, com uma besta, sendo estes namorados. O Babyborn anda a falar com a besta sobre assuntos que não devia».

Nos cursos onde «falta pulso e organização» são nomeados novos representantes. Pedro Cardoso, um dos veteranos esperados no Meco, foi eleito a 13 de novembro novo representante de Arquitetura.

A 25 de novembro, Catarina Soares, outra das vítimas, é eleita nova representante de Turismo, tida como uma veterana com «garra» e «atitude».

O fim de semana no Meco seria uma espécie de prova de fogo para todos os veteranos e representantes de curso.

Foi Carina Sanchez a tratar do alojamento. A casa escolhida, com três quartos, tem capacidade para 8 a 10 pessoas. Foram estes quartos que as imagens da TVI mostram que foram ocupados pelos seis estudantes. Pelo que a TVI conseguiu apurar, mantêm-se iguais.

Terá sido aqui que ficaram fechados na noite de sexta-feira sem saberem uns dos outros. Só podiam sair com autorização do dux, beberam álcool e não podiam dormir.