A investigação da TVI encontrou documentos que comprovam a violência das praxes da Lusófona. De acordo com os documentos, houve alunos que desistiram do conselho da praxe, alegando esgotamento nervoso e indisponibilidade em fazerem mais sacrifícios. É o que refere um relatório datado de novembro de 2013, ou seja de pouco mais de um mês antes da tragédia do Meco, que fala na desistência de alunos da Lusófona nas praxes académicas.

Ao descontentamento e desconforto entre alunos, patente no relatório, o Conselho Oficial da Praxe Académica (COPA) responde com ameaças aos alunos, alegando que a permanência no curso podia ficar comprometida. Os documentos comprovam que a pressão exercida por parte do COPA, a alunos das praxes, é cada vez maior. A TVI sabe que, nos últimos meses de 2013, o COPA queixava-se de não conseguir angariar mais alunos das praxes e mostrava preocupação por isso mesmo. Tudo isso é evidente em vários relatórios e emails trocados entre o «dux», neste caso João Gouveia, o único sobrevivente da tragédia do Meco, e representantes de vários cursos.

Os documentos a que a TVI teve acesso são todos assinados com nome de código. Todos os relatórios, emails e mensagens de telemóvel são codificados dessa forma.

Os «pastranos» são todos os alunos que estão vinculados à praxe académica com duas matrículas na Universidade Lusófona. Na base da hierarquia estão as «bestas» e «caloiros», seguem-se os «pastranos», «doutores», «veteranos», o «dux» e finalmente o «honoris-dux». Todos os que morreram no Meco eram, na hierarquia das praxes, «doutores», cada um representava um curso. Só o «dux», neste caso João Gouveia, o único sobrevivente, não podia ser praxado.