A Polícia Judiciária quer reconstituir os acontecimentos da noite em que os seis jovens estudantes da Universidade Lusófona perderam a vida na praia do Meco, em Sesimbra. De acordo com o jornal «Diário de Noticias», os inspetores querem inquirir todas as famílias, amigos e colegas de faculdade.

A PJ tem também intenção de ouvir alguns moradores do Meco e pessoas com quem os jovens contactaram naqueles dias que antecederam a tragédia, a 15 de dezembro.

Por agendar está ainda o interrogatório ao sobrevivente, João Gouveia. À agência Lusa, na sexta-feira, a família do dux esclareceu que este vai falar: «No local certo e perante as instâncias competentes, no tempo necessário para que todas as diligências sejam efectuadas, o sobrevivente prestará todos os esclarecimentos», sustentam os familiares do jovem, que até agora se tem remetido ao silêncio.

O secretário de Estado do Desporto e da Juventude diz que o incidente que levou à morte dos seis jovens «não é praxe académica», mas sim um ilícito criminal. À agência Lusa, Emídio Guerreiro disse segunda-feira que são «atos ilícitos que devem ser punidos».

A Universidade Lusófona garantiu à TVI que os seus alunos «não têm obrigação de comunicar» as suas atividades de praxe à administração e que nunca foi apresentada nenhuma queixa sobre eventuais praxes violentas.

«As organizações dos alunos são livres e autónomas, no âmbito do regime democrático em que vivemos, não tendo os alunos livremente organizados qualquer obrigação de nos comunicar a sua existência e muito menos quaisquer códigos ou regulamentos», diz um comunicado enviado à TVI.

Sobre os documentos revelados pela TVI, a administração da Lusófona garante que «nunca houve qualquer queixa formalizada ou problema conhecido que tivesse relação com quaisquer atividades de praxe».

Uma investigação da TVI revela documentos que alunos da comissão de praxe tiveram de assinar e relatório de um fim de semana de risco como o do Meco.

Quem pertencia ao Conselho Oficial de Praxe Académica da Universidade Lusofóna era obrigado a assinar um termo de responsabilidade pelos riscos e danos que pudessem ocorrer.

Uma investigação TVI mostra as provas que apontam cada vez mais para um ritual de praxe que poderá estar na origem da tragédia do Meco.

Sabemos que o líder e os membros do Conselho da Praxe seguiam à risca um código de conduta baseado em reuniões secretas, levadas ao limite, com riscos assumidos e conhecidos.

Uma espécie de sociedade secreta com obediência cega às hierarquias, estatutos e regras próprias, controladas através de relatórios e fichas individuais, com perfis traçados de personalidade.

SONDAGEM: As praxes académicas devem ser proibidas?