As famílias das seis vítimas do Meco acusam o procurador de não ter disponibilizado ainda para consulta a totalidade do processo arquivado. De fora, terão ficado, por exemplo, os registos telefónicos e mensagens trocadas entre as vítimas e João Gouveia.

O advogado das famílias não tem dúvidas que o arquivamento passou pela descredibilização de todas as testemunhas de Aiana de Cima que garantem ter visto os estudantes a ser praxados.

Meco: famílias avançam com queixa contra o procurador

Essas testemunhas, ao que apurou a TVI, chegaram a ser ouvidas quatro vezes, algumas delas em casa e não no tribunal, como seria normal.

«O que é que estas testemunhas teriam a ganhar em dizer seja o que for que não fosse a verdade? É preciso então explicar por que não estão a dizer a verdade», disse o advogado.

«Todas as que diziam que afinal aquele fim de semana era de praxe que se podia considerar violenta e que levou àquelas consequências, todas essas testemunhas eram reinquiridas sucessivas vezes, até as mesmas chegarem ao ponto de dizer, como é óbvio, pelo cansaço, que já nada saberiam. É o próprio Ministério Público que se desloca a casa das testemunhas para as ouvir. Nunca vi uma coisa destas em muitos anos em que estou ligado advocacia», continuou.

Etelvina Fonseca, uma das testemunhas que viu os estudantes a rastejarem com pedras, manteve a mesma versão nas quatro vezes que foi ouvida - duas em casa, outra na moradia alugada pelos estudantes e apenas uma em tribunal, todas elas autênticas maratonas. «Eu estive desde as 9 da manhã dentro do tribunal, até às 18:15. [O procurador] dizia-me "veja lá se é assim", "lembre-se lá bem" e estava sempre a atacar. E o inspetor daqui gritava-me. Não falava, gritava», disse à TVI.

Segundo o procurador, Etelvina acaba por entrar em contradição quanto ao número de pessoas que terá visto no fim de semana. Mas não é isto que diz a testemunha: «Não mudei depoimento nenhum, mas não sei o que lá escreveram. Eu assinei, mas sei ler mal».

Já o casal que também diz que viu os estudantes a rastejar com pedras terá mudado a versão para bolas de Natal. «As testemunhas disseram claramente que o que viram eram pedras, numa primeira fase. Posteriormente, são chamadas novamente para prestar depoimento e supostamente foi-lhes mostrado um vídeo ou imagens do tal pinheiro ou das tais bolas, que poderiam não ser o que se dizia ser pedras», revelou o advogado.