A TVI recolheu novos indícios de que mais pessoas estiveram no fim de semana do Meco onde morreram seis estudantes. Duas camisas de homem foram entregues por engano à família de Catarina Soares e não pertencem a nenhum dos estudantes que morreu.

«São duas camisas de rapaz, de traje de rapaz. A Catarina era franzina, era um S. As camisas não são dela, por isso aquelas camisas de onde vieram?», questiona Fernanda Cristóvão, mãe de Catarina Soares.

«Dou-as a quem provar que lhe pertencem. Até lá ficam ali. A não ser que seja obrigado a fazê-lo pelas autoridades», acrescentou o pai, António Soares.

As camisas também não pertencem a Pedro Negrão, segundo a mãe deste. «Estas camisas não são do meu filho. Eles não podem usar com etiquetas, por isso tudo o que tinha etiquetas o meu filho pediu-me para tirar. Uma delas para mim não é de traje, a outra também não identifico como sendo do meu filho», disse à TVI Fátima Negrão.

Pedro tinha duas camisas de traje. «Uma tinha vestida e a outra que me foi entregue também não pertence ao Pedro. Foi a namorada que me trouxe da faculdade com a roupa civil. Esta camisa não sei se é rapaz ou rapariga, mas também não é dele», acrescentou.

Tiago Campos, a outra vítima do sexo masculino, segundo a família, teria levado para o Meco duas camisas: uma foi devolvida juntamente com os pertences, a outra ainda a trazia vestida quando o corpo foi encontrado. «Estava completamente vestido, sem nada, sem marca nenhuma, pelo menos visível. Estes sapatos são novos, que ele utilizava. Os outros antigos quando ele acabou a faculdade estavam mais danificados. Mas estes foram os sapatos que foram entregues», contou o pai de Tiago.

Terá sido João Gouveia, acompanhado de um familiar, ainda nessa madrugada, que terá arrumado os pertences, que, no caso de algumas famílias, depois foram entregues por membros do COPA e honoris dux.

«Achei estranho quererem despachar tudo tão rápido. Não tinha necessidade das coisas da menina tão depressa. Aliás, nada foi como previsto. As nossas coisas não vieram por intermédio da Lusófona. Foi o namorado que trouxe. Não era uma casa que fosse para ser alugada na segunda-feira a seguir, qual era a preocupação de arrumarem logo tudo aquilo e desfazerem-se de tudo? Houve necessidade de arrumar rapidamente a casa», refletiu a mãe de Catarina.

No caso de Catarina Soares, terá sido o namorado, um elemento do COPA, que no dia seguinte entregou todos os pertences à família. As chaves de casa nunca apareceram, nem os documentos.

No caso de Carina Sanchez, terá sido mesmo um honoris dux, Rui Osório, quem entregou ainda no Meco o saco à família. Também foi ele que transportou até à Lusófona os pertences de Joana Barroso, Andreia Revez e Pedro Negrão, cujas chaves do carro nunca foram encontradas.

Desde a primeira hora, elementos do COPA e honoris dux tentaram controlar todos os acontecimentos. Na manhã a seguir à tragédia foram vistos a recolher vestígios no areal que comprovassem a existência de uma praxe. Mexeram também em telemóveis e computadores de algumas das vítimas.

Um documento a que a TVI teve acesso prova que o COPA começou a movimentar-se logo. Foi enviado domingo, às 23:00, e lê-se: «Boa noite, trajados. Vimos por este meio comunicar uma reunião amanhã, dia 16 de dezembro, com encontro às 14:00. Devido às infelizes notícias que todos nós recebemos, é de extrema importância a comparência de todos. Mandem mensagens entre todos, para que saibam da realização desta reunião».

O pacto de silêncio entre os estudantes da Lusófona dura até hoje. «Quero, se é possível, apelar a todos os colegas da Catarina e dos amigos, ao COPA, por favor, em memória dos colegas, que contem o que sabem. Porque era isso que eu pediria à minha filha. Se tivesse sobrevivido, ou se não tivesse estado envolvida nesta tragédia, era isto que eu lhe diria. Filha, conta tudo o que sabes», concluiu Fernanda Cristóvão.