Notícia atualizada

Centenas de estudantes do Ensino Superior promoveram um desfile do Largo do Camões para a Assembleia da República, em protesto contra os cortes de verbas para o Ensino Superior. À chegada ao Parlamento, pelo menos um estudante foi detido pela polícia.

À chegada ao Parlamento, pelo menos um estudante foi detido, como registou a reportagem da TVI, por volta das 16:40.

Um dos jovens que atravessou as grades que separam os manifestantes das escadas que dão acesso à Assembleia da República foi de imediato detido pela polícia.

Levava consigo um livro que acabou por ficar caído nos degraus e que os colegas dizem ser uma edição da Constituição da República.

O efetivo policial foi imediatamente reforçado nas escadarias, enquanto os estudantes liam um manifesto e gritavam «Governo escuta, os estudantes estão em luta».

A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua desceu do parlamento, para manifestar apoio aos estudantes.

«Estes estudantes estão aqui hoje a manifestar-se contra um orçamento que nós consideramos que vai aniquilar o serviço público de educação e as universidades», afirmou à Lusa.

No mesmo sentido, a deputada do PCP Rita Rato deslocou-se até junto dos estudantes para considerar «justíssima» a sua luta.

«É por isso que voltamos a propor o fim das propinas e o reforço da ação social escolar», declarou.

Reitores cortam relações com o Governo

Os estudantes desfilaram desde o Chiado com faixas e cartazes até ao Parlamento gritando por mais ação social e pedindo a demissão do Governo, num registo da Lusa.

«Fora daqui/ A fome, a miséria e o FMI» ou «Assim não pode ser/Os bancos a ganhar e o Ensino a perder» são algumas das palavras de ordem entoadas junto à estátua do poeta Luís de Camões.

Os estudantes reclamam mais bolsas de estudo, contestam o pagamento de propinas de «mais de mil euros por ano» e dizem que está na hora «de o Governo ir embora».

David Fonseca, 18 anos, aluno do 1º ano de História, na Universidade Nova de Lisboa, disse à agência Lusa que os estudantes estão «fartos de cortes no ensino» e de ver as Humanidades postas de parte «em prol da Banca».

«Não queremos que haja fome nas escolas nem nas faculdades», reclamou o aluno, desabafando: «Estamos fartos de ver aqueles que conseguem uma licenciatura a acabar em call centers», como reporta a Lusa.

Colega de curso, Pedro Quirino, defende que é obrigação de todos os jovens, de todas as classes sociais, defender os direitos conquistados pelos pais.

«Uma geração inteira lutou pela liberdade e para termos coisas que agora estão a tentar tirar-nos», afirmou.

«A Constituição diz que temos o direito a sermos educados. Eu tenho o direito a não chover na minha Faculdade e chove porque a Faculdade não tem dinheiro», disse o estudante num registo à Lusa.

A manifestação ficou concluída pouco depois das 17:00.