Mais de mil aposentados e pensionistas acusaram hoje o Governo de estar a roubar nas pensões e exigiram a demissão do Executivo.

«Roubo na pensão não é solução», «aposentados e pensionistas vêm dizer não ao Governo ladrão» e «está na hora de o Governo ir embora» foram algumas das palavras de ordem entoadas pelos manifestantes frente ao Ministério das Finanças, em Lisboa.

«Prevê-se uma jornada de resistência num primeiro momento de indignação e de luta aqui hoje no Rossio. Temos de afirmar que é uma mistificação o Governo dizer que quer convergência de pensões, porque isso é falso», disse a coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, Ana Avoila.

De acordo com a sindicalista, «uma grande parte do setor privado tem pensões e salários iguais ou superiores aos dos trabalhadores da função pública».

Nesse sentido, «é uma aldrabice e uma chantagem dizer que se não se cortar nas pensões terá de se pedir um segundo resgate», considerou Ana Avoila.

A coordenadora da estrutura sindical referiu ainda que a proposta de lei do Governo «está cheia de inconstitucionalidades, nomeadamente, a questão da retroatividade».

A Frente Comum vai, assim, enviar uma petição ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, para que este peça a fiscalização preventiva do diploma. Seguidamente, a estrutura sindical vai solicitar aos partidos a fiscalização sucessiva do diploma, segundo Ana Avoila.

«Se o Governo invocar o interesse público para avançar com os cortes nas pensões, à semelhança do que pretende fazer acerca do aumento do horário de trabalho, é outra aldrabice, uma falácia e uma hipocrisia», rematou a sindicalista.

Na resolução hoje aprovada nesta concentração, na Praça do Rossio, para além da rejeição do corte nas pensões, a Frente Comum apela a todos os aposentados para que expressem «o descontentamento e oposição já no próximo dia 29 de setembro, nas eleições autárquicas».

Apesar de não estar previsto inicialmente, Ana Avoila propôs aos aposentados e pensionistas para que marchassem até ao Ministério das Finanças, em Lisboa.

Os manifestantes aceitaram o desafio e desfilaram até ao Terreiro do Paço para mostrarem ao Governo o descontentamento, relata a Lusa.