Mais de 2.500 pessoas, segundo números da PSP, associaram-se este sábado à iniciativa «A construção naval não pode morrer», apelando à suspensão do encerramento dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).

«Hoje tivemos aqui uma manifestação grandiosa, de todos os setores partidários, da esquerda à direita, do norte a sul, com toda a sociedade a dizer que é preciso parar este processo. É preciso parar para tomar uma boa decisão, porque este é um setor estratégico para o país», afirmou José Maria Costa, presidente da Câmara local, entidade que organizou esta iniciativa.

O ex-Presidente da República, Mário Soares, marcou presença em Viana, tendo sido uma das mais aclamadas intervenções da tarde, que envolveu políticos, sindicalistas e até atletas, na qual manifestou a sua «solidariedade» para com os trabalhadores da empresa.

«Vim aqui para estar com vocês e ser solidários com vocês», afirmou, perante a multidão que encheu por completo a Praça da República, durante uma tarde que envolveu ainda vários momentos musicais.

Apelos à «investigação» da gestão dos ENVC nos últimos anos e à suspensão do processo de subconcessão e encerramento da empresa foram os mais ouvidos, lançados também a partir do palco, colocado na principal praça da cidade de Viana do Castelo, por onde passaram ainda várias associações locais e até atores a declamarem poesia.

«Nós temos em Viana do Castelo um centro de competências que não podemos decapitar. Esta é a mensagem que estamos a transmitir», apontou o autarca socialista José Maria Costa.

A comissão de trabalhadores dos ENVC voltou a apelar à suspensão do processo de subconcessão ao grupo Martifer e o consequente encerramento da empresa pública, prevendo já uma nova manifestação para 13 de dezembro na cidade.

«Vamos lutar até à exaustão. Senhor ministro, deixe-nos trabalhar», atirou António Costa, porta-voz dos trabalhadores, recordando que em dois anos e meio convidou seis vezes, por escrito, o ministro da Defesa a visitar a empresa, sempre sem sucesso.

Já a eurodeputada socialista Ana Gomes reafirmou as dúvidas sobre a condução deste processo por parte do ministro da Defesa, acusando José Pedro Aguiar-Branco de «gestão danosa» e de «passar a pataco» a empresa para privados.

«Os responsáveis, sejam eles quem forem, hão de ser investigados», disse a eurodeputada.